segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Soredemo Machi wa Mawatteiru (ou o anime sobre os pensamentos de um cachorro, poko)

Soredemo Machi wa Mawatteiru pode não ter um nome particularmente inspirador ("E no entanto, a cidade gira" parece nome de filme europeu de três horas e meia sobre a câmera parada em uma rua) ou mesmo a melhor premissa do mundo: uma adolescente muito louca que trabalha em um maid café e apronta altas confusões com sua turminha do barulho.

Mesmo sem minha descrição a lá sessão da tarde, a primeira coisa que vem à mente seria uma colegial histérica cheia de "personalidade" em um festival de fan service e moe. Se você é como eu, provavelmente está imaginando algo assim:


Oh, quanta fofura e quanta "atitude", quanto... zzzzzz

Ah, desculpe, você ainda está aí? Só de olhar a imagem acima me deu um sono desgraçado. Não, nada disso. Soredemo não é isso, Soredemo é ISSO:

Soredemo Machi Wa Matteiru Ending - HD (with english lyrics) from Teclas on Vimeo.

"Agir como tsundere é um sinal de inteligência"?
"Se você estiver gripada vai sentir dores no parto" ?!?

E ela está tocando... uma gaita? Mas que porra é essa, bátima?!

Agora que tenho sua atenção, podemos começar.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Star Wars VII: O Despertar da Força (ou o filme que teria sido salvo por uma máscara)

Se tem algo que eu não queria fazer ao escrever sobre Star Wars era ter que discutir politicamente correto, guerreiros da justiça social ou lições primárias de como fazer um roteiro ou escrever um personagem. De verdade, do fundo do coração. Eu queria poder apenas dizer como BB-8 é o robô mais fofo da história do cinema, como Finn recupera o nome dos Stormtroopers (que até então eram só motivo de piada na série) e como Luke tem o tratamento de mestre jedi que merece por parte do filme.

Eu queria, mais do que tudo no mundo, mais até do que meia hora sozinho preso em um elevador com a Jéssica Nigri, não ter sentido falta do jeito pateta do George Lucas de dirigir e ter me divertido como eu me diverti na primeira meia hora de filme. De verdade, tão honestamente quanto eu poderia desejar algo, eu queria essas coisas.

Shenmue (ou o "The Homer" dos videogames)

Os Simpsons tem um dom muito único de olhar dentro da própria essência de nossas almas de classe média ocidentais e fazer piada com verdades que todos sabemos que estão lá, mas ninguém comenta sobre o assunto (faz tempo que não acompanho a série, não sei se ainda faz isso). O episódio da Malibu Stacy é um destes casos, mas hoje venho aqui vos falar de outro caso bastante interessante: o "Homer".

Em 1991, logo, na segunda temporada da série, tem o episódio "Oh Brother Where Art Thou" em que Homer descobre que tem um meio-irmão perdido Herbert Powell (dublado por Danny Devito) que por um acaso é um magnata da indústria automobilística.

Herbert sente que seus engenheiros perderam o contato com o cidadão comum e decide dar carta branca a seu irmão Homer para projetar o carro dos sonhos do homem cotidiano. O resultado é um desastre: Homer vai apenas empilhando ideias aleatórias que ele tem sem pensar nas consequências e o resultado é um monstrengo nada funcional, caro demais, e que nem ele mesmo quer. Com o fracasso e os custos de produção, Herbert vai à falência.



Na internet é muito comum encontrar pessoas construindo o seu próprio "The Homer", criando monstrengos da boca pra fora nos quais elas nunca pensaram bem a respeito, mas apenas parecem legais a elas de primeira vista.

Separatismo, volta do regime militar, liberação da posse de armas de fogo na rua são todos pequenos "The Homer" nos quais ninguém quer realmente viver (nem o defensor da ideia), mas as pessoas falam mesmo assim porque nunca pararam para pensar direito no assunto. Em uma das melhores cenas da história da televisão, o Doutor toca nesse exato ponto: "Suponhamos que você vença, certo. E daí para frente, como vão ser as coisas? Como vai funcionar e quais serão as implicações disso? O que você está propondo é um mundo onde você realmente já parou para pensar se quer viver nele?".

Mas você sabia que os videogames já tiveram o seu "The Homer"? E que agora em 2015 o kickstarter arrecadou mais de SEIS MILHÕES DE DÓLARES para ser trazido de volta?

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Scott Pilgrim vs The World (ou o filme que é um jogo sobre um filme)

Ah, a história mais antiga do mundo. Garoto conhece garota. Garoto se apaixona por garota. Garoto termina com sua namorada colegial asiática menor de idade para ficar com a garota mas descobre que tem que enfrentar a liga dos sete ex-namorados malignos da garota. Como eu disse, a história mais antiga do mundo. Um clássico.

Como eu costumo dizer, se alguma coisa tem uma ideia inovadora bem executada então merece atenção. Se tem mais de uma ideia nova bem executada, então realmente temos algo muito interessante aqui e esse é o caso das desventuras de Scott Peregrino.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Pan (ou quando o Cirque Du Soleil tentou contar Piratas do Caribe imitando Mad Max)

Quando de suas grandes produções Hollywood costuma fazer audiências teste com o público antes do lançamento para perceber alguns problemas e aparar algumas arestas. Saber o que as pessoas comuns acharam e tirar algumas lições. 

E quando a maior impressão que o filme deixa é "eu não entendi o que eles pretendiam com esse filme além de iniciar uma franquia goela abaixo usando todos os clichês conhecidos pelo ser humano", talvez tivesse ficado a dica de que algo errado tem com esse filme.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

[GAMES] Conker's Bad Fur Day (ou o jogo de saltar em peitões da Nintendo)

Nos anos 80 o primeiro grande sucesso da Nintendo foi o arcade Donkey Kong, que retratava as aventuras do herói Jumpman tentando salvar a princesa Pauline das garras do terrível macaco besta.Jumpman voltou a protagonizar outros jogos da Nintendo rebatizado como Mario, Pauline virou Peach e o fim dessa história todo mundo conhece.

Mas e o macacão, que fim levou?

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Danganronpa (ou Battle Royale Phoenix Wright)

Videogames não costumam me surpreender muito porque a grosso modo é uma media bastante conservadora. Novas ideias pipocam todos os dias em todos os cantos do mundo, mas até chegarem em uma telinha para você apertar botões de um controle já foram compactadas, empacotadas e embrulhadas em formulas bastante seguras.

A grossa maioria das categorias de jogos nasceu no Nintendinho nos anos 80 (algumas são até mais antigas que isso) e permanecem em vigor até hoje apenas com updates gráficos. Então como eu disse, é muito difícil um jogo me surpreender.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Star Wars I: A Ameaça Fantasma (ou o filme que eu queria ter amado)

Tendo finalmente a última aventura que faltava da família Skywalker poucas coisas me deixariam mais feliz do que chegar aqui e dizer "Caros fãs de Star Wars: se voces não admitirem que o Episódio I é um bom filme voces serão os maiores miseraveis, pestilentos, sarnentos, arruaceiros, gatos polares!". De verdade, pelo sangue seco de Tatooíne eu adoraria poder fazer isso.

Mas infelizmente eu não posso, o filme tem incontáveis problemas. Incluindo alguns que são amplamente apontados.

Todo mundo adora ser um floquinho de neve especial, mas esse não é o meu dia.

sábado, 19 de dezembro de 2015

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Star Wars III: A Vingança dos Sith (ou o filme que George Lucas esperou 30 anos para fazer)

Seguindo nosso flashback sobre as origens de Darth Vader e do Império Galáctico antes de retornar a conclusão da saga, hoje falaremos sobre o último filme da trilogia nova.

Eu já repeti algumas vezes que o George Lucas é um diretor bastante limitado: ele sabe fazer um único tipo de filme. No episódio II, Lucas tentou sair da sua zona de conforto para agradar os fãs "adultos" da série  e o resultado foi mais feio que encoxar a mãe no tanque.

Pelo seu conteúdo o episódio III teria que ser o mais sombrio de toda a série de modo que poderíamos esperar outro acidente de percurso de duas horas de duração. Surpreendentemente, no entanto, o filme deu certo.

Espera, o que? Como isso aconteceu? Como pode ter dado certo? Como George Lucas fez um filme bom fora da sua zona de conforto?

A resposta, meu jovem padawan, é que na verdade ele começou a fazer esse filme 40 anos atrás.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Star Wars II: O ataque dos Clones (ou o filme que foi cagado pelos fãs)

No ultimo episódio de nossa tauorica saga, haviamos descoberto que Darth Vader era na verdade o antigo mestre jedi Anakin Skywalker e pai de Luke, oh noes! (alerta de spoiler, caso você não tenha assistido os filmes não leia o paragrafo acima).

Mas quem foi Anakin Skywalker? Quem é a figura misteriosa para quem Darth Fucking Vader se curva? Como surgiu o Império maligno cuja malignicidade nunca é claramente explicada na série inteira?

Para responder essas perguntas e muitas outras é preciso viajar no tempo mais ainda, até o longínquo ano de 2002. Voltar para o futuro, taí um bom nome, espero que usem adequadamente para um bom filme um dia...

Seja como for, em 1999 George Lucas havia ressuscitado a franquia Star Wars finalmente realizando os prequels - a começar pelo episódio I: A Ameaça Fantasma. Que é um ótimo filme de Star Wars, tem tudo que um bom filme de Star Wars tem que ter só que com lutas de sabre de luz realmente legais dessa vez. Ainda falarei melhor dele mais pra frente, o que importa por hora é que a reação dos fãs foi quase unanime: "nós detestamos, coroa!".

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Star Wars V: O Império Contra-ataca (ou quando um filme pior é melhor)

Sob  todos os aspectos que se possa imaginar, Uma Nova Esperança é um filme mais divertido que o Império Contra-ataca. Você senta, se diverte com os amigos, coisas explodem, todo mundo vai pra casa feliz (exceto aqueles entre vocês que compreendem que felicidade é uma percepção efêmera neste universo de incertezas e irrelevâncias existenciais). Usualmente isso seria o suficiente para declarar que o primeiro filme da série (que é o quarto) é um filme melhor do que o segundo (que é o quinto), mas a questão é um pouco mais complicada do que isso.

O Império Contra-ataca não foi escrito nem dirigido por George Lucas (embora como dono do campinho ele tenha metido o dedo onde quisesse) e isso fica muito claro na tônica do filme: não é uma aventura leve e divertida para toda a família e sim a primeira parte de uma trama bem mais ambiciosa.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Star Wars IV: Uma Nova Esperança (ou o melhor filme que pouca gente assistiu)

Existem alguns livros que são tão absurdamente populares no cotidiano da cultura moderna que você não tem como ficar surpreso sobre quão pouca gente efetivamente os leu.

Quer dizer, todo mundo já ouviu de Lolita, certo? Aquele livro sobre uma novinha seduzente e a tentação do desejo proibido por uma menor de idade com muita sexualidade e sedução, certo? Quem nunca ouviu falar disso?

Apenas que qualquer um que já tenha lido o livro, eu suponho. Lolita tem tanta sensualidade nele quanto uma declaração de imposto de renda: na verdade é um livro bem pesado e depressivo sobre uma menina que se torna escrava sexual de um cara com mais problemas do que a medicina moderna pode explicar. 

E "O Médico e o Monstro"? Classicão, certo? Quer dizer, o livro que inspirou o Incrível Hulk sobre um homem gentil e bom que vira um bichão enorme esmagador de coisas! Ora, certamente você o viu na Liga Extraordinária e teve até um desenho do Frajola e Piu-Piu sobre isso, como esquecer?

Exceto, claro, que o Dr. Jekyll não vira monstro nenhum. Não fisicamente. Sim, toda a coisa do monstro é puramente sobre o psicológico do que ele se torna após tomar o coquetel de drogas e a maior mudança física que acontece com ele é descrita como "passa a sensação de ter algo errado com ele, embora não se possa dizer exatamente o que". Eu sei, bummer, cade o monstrão?

Como vê, não é incomum pilares da cultura pop serem tão famosos, mas tão famosos e tão infundidos na mente das pessoas ... que ninguém faz a menor ideia do que estão falando. Parece chocante dizer, mas veja a opinião das pessoas e verá que pouca gente realmente assistiu Star Wars alguma vez na vida.

O que é uma pena realmente, porque o filme é ótimo!

sábado, 12 de dezembro de 2015

30-sai no Hoken Taiiku (ou quando um anime deveria ser disciplina escolar)

"Saúde e Educação Física para Trintões" (sim, esse é o nome mesmo) é a ideia mais absurda que eu já vi adaptada para um anime. 

E sim, eu tenho conhecimento de um anime que a mão direita do cara vira um fantoche que é apaixonado por ele (Midori no Hibi), outro que é um anime de harém cujo séquito de menininhas apaixonadas pelo protagonista é composto por navios de guerra (Arpeggio di Blue Steel), um que é uma paródia de Fullmetal Alchemist mas o protagonista ganha poder chupando tetas de mocinhas (Qwazer of Stigmata) e um OVA que é apenas 50 minutos de uma menina dormindo - sabe como é, para você deixar rodando enquanto pega no sono e tem a ilusão de que está dormindo com uma garota (Sleeping with Hinako).

Quer saber? Esquece esse último. 30-sai no Hoken Taiiku não é mais estranho que isso não, nunca imaginei que um anime ia me fazer sentir tanta pena ao ponto de eu ficar deprimido.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Xenoblade Chronicles (ou o dia em que eu fiquei velho demais pra isso)

Existem muita analogias que podem ser feitas quanto ao processo de amadurecimento e porque não dizer, de envelhecimento. Dentre todas elas, uma das minhas favoritas é comparar com o clássico Máquina Mortífera.

Quando você é jovem, seu sonho é ser como o Righs: impetuoso, não segue regras, faz o que dá vontade e ninguém pode para-lo. Eu, no entanto, estou numa fase em que me identifico muito mais com o Murtaugh: eu estou velho demais pra essa merda.

E por "essa merda" entenda diversas coisas da vida como assistir TV aberta, discutir na internet e jogar jRPGs. Xenoblade Chronicles foi o jogo que me ajudou a entender isso.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Doctor Who [9a temporada] (ou 35a se você for esse tipo de chato)

"Because it’s not a game Kate, This is a scale model of war. Every war ever fought right there in front of you. Because it's always the same. When you fire that first shot. No matter how right you feel, YOU have no idea who’s going to die. YOU don’t know who’s children are going to scream and burn. or how many hearts will be broken! How many lives shattered. How much blood splattered until everybody does what they were always going to have to do right from the very beginning: SIT. DOWN. AND. TALK."
- The Doctor, The Zygon Inversion

Se eu tivesse que recomendar uma série com base em uma única cena, certamente eu citaria o episódio oito desta temporada. Por uma dessas coisas da vida, e como a vida tem coisas, ele foi ao ar justamente na semana anterior aos atentados de Paris - e eu não preciso entrar em maiores detalhes para explicar o quanto o discurso do Doutor é relevante.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Jéssica Jones [1a temporada] (ou precisamos falar sobre o Kevin)

De todas as formas que eu poderia resumir Jéssica Jones, a melhor foi um tweet que eu li por aí:

"Jéssica Jones é uma série onde todas as personagens importantes são mulheres e os homens existem apenas para serem vilões ou serem gostosos... ah, então essa é a sensação!"

Mas estou me adiantando um pouco, vamos começar do começo.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

My Little Pony: Friendship is Magic [5a temporada] (ou é hora de tirar os poneizinhos da chuva?)

Fazem cinco anos que Lauren Faust conseguiu a verdadeira magia de transformar um desenho animado pelo qual ninguém dava meia pataca furada (nem mesmo as menininhas) em um dos desenhos animados mais inteligentes, bem construídos e divertidos da televisão.

Eu já escrevi um artigo falando das qualidades do desenho aqui (e embore eu devesse ter escrito menos como fã, mantenho os argumentos). E se tudo mais falhar, um guia de referencias nerds nesse desenho pra afro-descendente nenhum botar defeito. Não pretendo falar sobre isso novamente. 

O que eu pretendo falar é sobre a quinta temporada que terminou esse fim de semana e a pergunta que talvez não seja a hora de procurar pastos mais verdes para os cavalinhos coloridos mais amigaveis da televisão.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Sonic Generations (ou como saber se seus pais te amam)

E se eu te dissesse que existe uma forma muito simples e fácil de saber não só a resposta para a pergunta se os seus pais de amam como para se você é adotado? Ora, a pergunta é a seguinte: você teve um Mega Drive quando era criança? Se a resposta for sim, vem, tenho uma noticia boa e uma ruim para você.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Fate / stay night (ou uma excelente história presa no corpo de um anime)

Uma das coisas que mais me apavora é a ideia de ficar preso dentro do meu próprio corpo. Chama-se "Síndrome do Encarceramento" isso e é uma das piores coisas que pode acontecer a alguém. Na verdade é uma ideia tão horrível e apavorante que pessoas que são contra a eutanásia figuram na minha lista como monstros mais cruéis que comunistas nazistas pedófilos flanelinhas. Gente tão ruim que eu desejaria que os cristãos estivessem certos e houvesse mesmo um inferno só para essas pessoas serem torturadas eternamente.

Estou falando isso porque essa imagem foi o que me veio a mente assistindo Fate/stay night. Tem uma excelente história ali acontecendo, genial mesmo, com personagens razoavelmente decentes (ok, não o protagonista mas já chego lá) e carismáticos. Mas toda vez que essa história tentava se levantar e brilhar para o mundo, o autor a sufocava com o travesseiro dizendo.

"Pronto, pronto. Você é só um anime... já vai passar, fique quietinha aí".