domingo, 31 de janeiro de 2016

The Legend of Zelda - Majora's Mask (ou o dia que Tim Burton reescreveu Feitiço do Tempo para a Nintendo)

The Legend of Zelda: Ocarina of Time não só foi um sucesso de vendas como é um excelente jogo aclamado por sua qualidade mesmo para os padrões de hoje. A reação natural da Nintendo foi desejar que Shigeru Miyamoto dirigisse uma continuação para um dos seus maiores sucessos, porém infelizmente para a Nintendo o não-tão jovem produtor japonês estava muito ocupado em colher os frutos do seu trabalho.



O problema é que a Nintendo precisava muito, mas muito mesmo de outro Zelda porque o Nintendo 64 estava apanhando do Playstation até embaixo da língua. Miyamoto não estava particularmente vibrante em fazer uma continuação porque tanto ele estava de férias como ele já era aquela altura o tipo de estrela que pode se permitir apenas pegar trabalhos que sejam artisticamente interessantes para ele - e continuações desesperadas estão no fundo dessa lista de prioridades. Ele não seria roteirista ou diretor, no máximo apenas supervisionaria a coisa toda.

"Ora, mas é um jogo de Zelda! Mal precisa de alguma história, é só colocar uma princesa em perigo e dez masmorras bem desenhadas, o tal do Zelda de roupa verde e estamos entendidos, não é verdade? É um trabalho tão fácil que qualquer um pode fazer isso", lhe disseram os executivos da Nintendo, "é tão simples que vamos entregar para o... hey, você, você aí da faxina, sim, você rapazinho de preto, qual seu nome? Não importa, você é o escritor do novo Zelda! Viu, sr. Miyamoto? Um trabalho tão fácil que qualquer um pode fazer!"

E foi assim que Mitsuhiro Takano acabou como escritor do jogo. Não sei, mas olhar para a foto de Takano na época me deu a impressão de que algo poderia sair errado. Não sei bem dizer o que causou essa impressão, não deve ser nada mesmo...

Nah, não, não. O que poderia dar errado, afinal?

Miyamoto (dir.) pergunta "Ele está atrás de mim, não está?" a respeito de Takano (esq.)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

[C&P] Comentamos a escolha de Chibnall para showrunner de Doctor Who (ou we are doomed)

De um lado temos um ser abominável,
de outro um dalek.
Vimos pessoas comemorando a saída de Steven Moffat como showrunner de Doctor Who como se ele fosse a pior coisa que tivesse acontecido a série do menino Basil. Pessoas que não viram a última temporada, presumo. Pessoas que pularam Don’t blink.

Claro que Moffat também teve seus episódios ruins e errou nas companions: Amy, a moça bela ruiva que não se agradava com nada (Não é o Rio de Janeiro. Que droga! “Ei, mas veja só um lagarto humano?!” Ai, ainda não é o Rio. Sem graça!) e tinha tanta empatia quanto um bule de chá, se importando, no máximo, com o Doutor, o Rory e ela mesma, óbvio. Clara, depois de sua antecessora já foi uma melhora, porém ainda faltava mais, o que nos foi dado depois. Parabéns aos envolvidos na evolução e no acerto. Como humanos, sabemos que errar, acontece, ficar lá é que não dá.

domingo, 24 de janeiro de 2016

[OSCAR 2016] The Big Short (ou não tem nenhum adulto tomando conta das coisas na verdade)

Narrativa é um campo maravilhoso e eu não falho de me impressionar com a velha máxima na hora de escrever um roteiro (seja para um livro, filme ou jogo): "Não é O QUE você conta, é COMO você conta".

Você pode ter um anime delicioso sobre um tema nada especial como apenas duas garotas rachando um apartamento em Tóquio, e pode ter um anime mortalmente tedioso sobre algo que deveria ser épico como robôs gigantes arremessando galáxias uns nos outros. .

Trazendo para os indicados ao Oscar de 2016: The Revenant consegue a façanha de ser modorrentamente chato com uma história que deveria transpirar epicidade por cada poro. Paralelamente a isso, The Big Short ("A Grande Aposta" no Brasil, até porque o termo do poker ao qual o titulo se refere não possui tradução) consegue ser um bom filme sobre um assunto que pode até ser bastante interessante mas de forma alguma material para filme indicado ao Oscar: a crise imobiliária-financeira de 2008. Só de pensar na expressão "títulos imobiliários" já começo a sentir as pálpebras pesando.

Como um filme sobre isso poderia ser bom? Resposta: não é O QUE, é COMO

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Doctor Who: Cidade da Morte (ou um roteiro que se regenerou como um livro)

Histórias grandes e complexas são, por sua própria natureza, grandes e arrebatadoras. É meio que isso o que "grande" significa, afinal. E embora nem todos possam escrever sagas épicas que explodem mentes, dado tempo e recursos suficiente acontece de tempos em tempos.

Agora arrasar o pagode usando o mínimo possível é algo reservado aos verdadeiros gênios. Chaplin consegue fazer rir usando pãezinhos e palitos de dente, Paganini arrancava sons humanamente impossíveis de seu violino usando apenas duas ou três cordas (dizem as lendas que até menos) e Douglas Adams consegue ser monstruosamente divertido apenas descrevendo as ruas de Paris.

"A Cidade da Morte" não é a aventura mais complexa, profunda, emocional ou geradora de pensamentos que o Doutor já teve. Bem pelo contrário, é uma até relativamente simples. O segredo aqui é justamente a simplicidadejá que com menos tempo desenvolvendo uma supertrama repleta de reviravoltas, Douglas Adams teve tempo de sobra para fazer o que sabe fazer de melhor: conquistar a todos nós divagando sobre a vida, o universo e tudo mais. E porque os taxis em Paris sempre desaparecem quando farejam no ar que você precisa deles.

Esse livro narra uma aventura do Doutor sobre nada em particular, e é absurdamente deliciosa por conta disso.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Jiraya, o incrível ninja (porque os br são muito melhores criando títulos)

Sim, este é um texto sobre a série do incrível ninja olímpiada Jiraya. Não venha me enganar, você conhece. Aquele rapaz rancoroso (que você imitava tentando tirar uma espada do espelho da sua casa) e que, provavelmente, foi um dos precursores dos heróis surdos perguntadores. 

Jamais entendi porque Shaka se preocupava em tirar a audição de seus oponentes. Mas, voltemos ao nosso ninja. Jiraya é uma série de quando você era um zigoto. Pertencente ao gênero metal hero, sabe aqueles heróis com armaduras adoradores do satanás (Metal!). 

Então, a série conta a história de nosso jovem Toha Yamashi, sucessor da família Togakure, guardiã de uma inscrição que ajuda a encontrar o tesouro do século, Pako, tesouro este que a família dos Feiticeiros deseja se apossar para fazer maldades e dominar o mundo (porque se você é um overlord do mal e não quer dominar o mundo, algo de errado há em seu sentido existencial). 

Pois bem, temos nosso herói, nossa família de vilões e a motivação que é o tal do tesouro do século, Pako. Nossa história está montada e pronta para ser comentada por esta que vos fala.

Fire Emblem: Path of Radiance (ou uma guerra com sérias restrições orçamentárias)

O Japão não tem um histórico muito glamoroso com guerras, sejam elas de fantasia medieval ou modernas com armas de fogo e os motivos para isso são bastante óbvios. Sendo uma ilha, o Japão não tinha uma relação muito próxima com seus vizinhos  na idade média e embora tenham sua quota de treta com chineses e mongóis, os japoneses estavam mais interessados em degolar uns aos outros em guerras civis do que marchar gloriosamente em nome do imperador ou algo que o valha.

De guerras modernas, com arminhas de fogo que fazem pew pew pew, então não preciso sequer me alongar muito sobre o tema. Existem dois motivos nucleares pelos quais os japoneses são reticentes em falar sobre o assunto, vamos apenas dizer que de modo geral não trás boas recordações aos nipônicos.

É relativamente raro vermos obras japonesas (que é uma forma glorificada de dizer "animes e videogames") falando sobre guerras. E quando o fazem é "daquele jeito" anime: um herói superpoderoso pega uma arma lendária e sai lavrando o campo de batalha até derrotar o general inimigo e vencer a guerra sozinho.

E isso não é guerra, é só a jornada do herói versão anime. Estou falando de guerra mesmo com conquistas (e manutenção) de territórios, alianças, nobreza, traições, recursos, estratégias de tropas, impacto na vida da população civil, a coisa toda.

Por isso dificilmente veremos uma espécie de "Senhor dos Anéis japonês". Exceto talvez pela série Fire Emblem.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

[OSCAR 2016] The Revenant (ou quando o cinema aprendeu com os videogames como ter sucesso)

Assassin's Creed empilha a impressionante marca de 22 jogos lançados em apenas 7 anos, a grossa maioria deles (se não todos) sendo um sucesso comercial de satisfatório a impressionante. Em outras palavras, uma média de 4 novos Assassin's Creed são lançados todos os anos, isso se desconsiderarmos os livros (7 livros foram lançados em 6 anos).

Você pode estar se perguntando como diabos estes jogos são feitos, afinal não existe novas formas de jogar ou narrativa que comporte 4 jogos por ano. E de fato não há, seria humanamente impossível. Não é jogo ou a história que mantém a série bem lubrificada de dinheiro.

São os gráficos. Apenas isso. As cidades dos jogos são cada vez maiores e mais fotorrealistas e isso é tudo que importa para os gamers, apenas isso. A história pode ser medonha, a jogabilidade ser a mesma coisa que você já gastou 40 horas jogando pelo menos 20 vezes, nada disso importa. O que importa é ser bonito.

Isso não é exclusividade de Assassin's Creed, claro. Fallout 4 é um dos jogos mais vendidos de todos os tempos (e certamente o mais vendido de 2015) que falha miseravelmente em tudo que se propõe a fazer, exceto ser bonito. E ser bonito é suficiente.

Afinal videojogos são feitos para pessoas com orçamento de adultos mas mentalidade de adolescentes, a combinação que qualquer produtor de conteúdo sempre sonhou: muita grana para torrar e nível de exigência baixíssimos, quando não inexistentes.

Essa sempre foi a verdade dos videogames, isso não é novidade.
A novidade é que agora parece que Hollywood descobriu essa mamata.

Hoje falarei sobre o (infelizmente) provável ganhador do Oscar de 2016: The Revenant (O Regresso).

domingo, 17 de janeiro de 2016

Super Mario Galaxy (ou o essencial é invisivel aos olhos)

Existem algumas coisas que eu espero dos jogos da Nintendo. Melhor dizendo, existem algumas coisas das quais pode se esperar em um game feito por esses japoneses em particular: mecânica tão redonda que "jogos da Nintendo" são um capitulo a parte na questão de gameplay, design de fases mais do que perfeito, trilha sonora memorável e horas de jogatina com dezenas de pequenos itens colecionáveis divertidos de procurar (eu disse DIVERTIDOS, ouviu inFAMOUS?!). E claro, muita diversão.

Todas essas coisas são esperadas de um jogo da Nintendo tanto quanto uma narrativa minimalista, personagens quase genéricos (quem conseguir encher uma redação com 20 linhas sobre a personalidade do Mario está de parabéns) e uma missão tão simplória e vaga que não faria tanta diferença não estar lá. Você explora as masmorras de Zelda porque é divertido e tem uma recompensa, não por um grande senso de progressão da história ou algo do tipo.

E é por esse motivo que eu não esperava que Super Mario Galaxy tivesse todas as qualidades esperadas de um jogo AAA  da Nintendo, mas no lugar de seus defeitos tivesse uma linda história triste e uma atmosfera única.

Definitivamente eu não estava preparado para a Rosalina em um jogo da Nintendo.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

One Punch Man (ou Saitama não é o herói que merecemos, mas é o que precisamos neste momento)

E se eu te dissesse que existe um anime feito não para otakus sebentos que compram almofadas de waifu (eu saber o que é waifu compromete muito da minha credibilidade, estou ciente disso) mas sim para nerds comuns?

Sabe, gente como eu e você que não entende o que tem de tão divertido ao ver uma colegial miando em um relacionamento implausivelmente infantilizado (baka!), mas gosta de filmes de super-heróis e apreciaria uma comédia muito bem construída zoando o universo Marvel e os clichês dos animes de luta que crescemos assistindo.

Este é um anime feito para gente como a gente, estas são as desventuras do HOMEM DE UM SOCO SÓ!

domingo, 3 de janeiro de 2016

Mirai Nikki (ou como o pior anime do mundo me fez atingir o nirvana)

Em 1939 a melhor autora de todos os tempos publicou o seu melhor livro: "O caso dos dez negrinhos". Talvez você o conheça como "E não sobrou nenhum" porque mencionar negros na capa de um livro é considerado ofensivo e de mal gosto (Hitler está aplaudindo do inferno seus discípulos os guerreiros das causas sociais na internet) e eu poderia entrar em uma longa discussão sobre como isso é imbecil porém não o farei porque agora eu sou uma pessoa melhor. Mirai Nikki me tornou uma pessoa melhor.
Mas dizia eu que em 1939 Agatha Christie publicou seu melhor livro e além do excelente livro em si, ao mesmo tempo a humanidade foi agraciada com uma benção e uma maldição: as novelas de sobrevivência.