quarta-feira, 27 de abril de 2016

[SERIES] THE GIRLFRIEND EXPERIENCE (ou eu seria boa, recatada e do lar)

Repare bem nessa cara de "esse peido pesou mais do que
eu esperava", é a única que você verá nessa série
Um exercício que eu faço de tempos em tempos é imaginar que tipo de pessoa eu seria e que tipo de vida eu levaria se fosse uma mulher. Claro, é um exercício de absoluta futilidade porque nossa personalidade é construída através do ambiente, genética e experiências ao nosso redor e todos esses seriam tão radicalmente diferentes caso eu  não possuísse um cromossomo Y que não seria se modo algum sequer sombra da pessoa que eu sou hoje (o que mostra o quanto o conceito de "alma" é algo infantil e profundamente preguiçoso por parte de quem nunca quis pensar muito no assunto, mas essa é outra discussão). Ainda sim, todas as coisas consideradas, dá para faze-lo.

Existem duas características intrinsecamente femininas (ao menos na sociedade atual, mas não é como se eu sonhasse ser uma mulher na idade média, nem as mulheres na idade média sonhavam em ser mulheres na idade média) que me parecem profundamente interessantes (e várias outras que parecem horríveis, mas não entrarei nessa questão hoje).

A primeira é o completo desinteresse em relação ao sexo. Não me entenda errado: mulheres podem GOSTAR de sexo, mas de forma alguma é uma necessidade física ou algo vagamente parecido com isso. Esta mais para um brinquedo que pode ser divertido, mas não faz diferença nenhuma se você passar anos sem isso - ou mesmo a vida toda, apenas não é importante.

Perceba todas as merdas que os homens fazem por causa de sexo, e passam de um ponto que o adjetivo "muito" empalidece para descreve-las, e você começará a entender o quanto a indiferença que as mulheres sentem em relação ao sexo pode ser libertador. No meu caso em particular, que tenho mais distúrbios psiquiátricos do que a Wikipédia pode descrever, a ideia de não sentir a menor necessidade biológica de um ato que depende de socialização com outro ser humano soa como pura poesia.

Então é assim que se diz SOU RICAAA em LIBRAS?
Outro aspecto que eu invejo profundamente nas mulheres é o conceito social de que trabalhar é OPCIONAL. Não tem nada de errado uma mulher ter um emprego, mas caso ela não queira também esta tudo bem também - e essa ideia soa inegavelmente atraente. Essa ideia brilha mais quando você tem um emprego absolutamente bosta e que você só atura porque paga seus hobbies, mesmo que você tenha que contar os minutos no relógio até se livrar de tamanha infelicidade e dor por mais 24 horas.

"Prostituição" é uma palavra que carrega muita estigma social, mas quando você analisa o conceito da coisa em si percebe que seu conceito está muito mais arraigado a nossa sociedade do que costumamos admitir.

Desde a dona Maria que nunca trabalhou na vida e paga por seu sustento (porque não existem almoços grátis e todo mundo paga por tudo de alguma forma) tendo 15 filhos do João Caminhoneiro e sendo a "mulher" dele até a futura primeira dama da Republica, que aos 20 anos de idade se vendeu para um homem 48 anos mais velho e garantiu o sustento das suas próximas três gerações.

E entre a dona Maria e a Marcela Temer, totalmente eu escolheria ser o tipo de prostituta que a Marcela Temer é. Na verdade, dadas as possibilidades físicas e logísticas, eu não vejo um único motivo lógico para não seguir os passos em sapatos Prada da nossa futura primeira dama.

The Girlfriend Experience é uma série sobre uma estudante de direito que pensou a mesma coisa

sábado, 23 de abril de 2016

[FILMES] BATMAN V SUPERMAN: A ORIGEM DA JUSTIÇA (ou alguém corte o açucar desse menino)

Meio curto, mas bem mais realista
No começo dos anos 2000 a Marvel estava numa merda tão grande que faria o caixa da Petrobras parecer bom. Com efeito, o único motivo pelo qual a editora não fechou as portas foi porque fez uma rifa com os direitos de seus quadrinhos para os estúdios fazerem adaptações cinematográficas (e por isso a novela para conseguir o Homem-Aranha de volta, e o infame destino do Quarteto Fantástico). As coisas não estavam tranquilas e não estavam favoraveis para a gibiteca de Stan Lee.

Tudo isso mudou em 30 de abril de 2008, quando a Marvel lançou um filme de super heróis que - olha só - era divertido pacas. O herói era um personagem de segunda linha para os leigos em quadrinhos, um tal de Homem de Metal ou algo que o valha, mas o filme era tão gostozinho que levantou uma ideia no ar: e se os filmes de super heróis fossem, sei lá, divertidos de se assistir?

A ideia emplacou tão bem que a toda poderosa Disney comprou a Marvel e deu recursos infinitos aos seus líderes para gerarem mais dinheiro infinito com filmes, séries e se bobeasse, até quadrinhos. Todo mundo sabe essa história.

Agora imagine que a Marvel tem uma competidora no ramo dos quadrinhos, a DC Comics. Se a Marvel é a personificação da saga de Rocky Balboa que acredita que a vida é seguir em frente mesmo levando porrada, a DC é o seu primo rico que tem alguma dificuldade em entender o que "passar necessidade" significa.

Enquanto a Marvel teve que ralar sua bunda com heróis de segunda, terceira e até octagésima linha (Guardiões da Galaxia? Jessica Jones? Homem-Formiga? Quem?) a DC tem em seu arsenal os personagens mais populares da cultura nerd. Faça o teste: pergunte a sua mãe se ela já ouviu falar de Batman, Super Homem e Mulher Maravilha. Mas não vamos ficar só nos medalhões principais, pergunte também se ela já ouviu falar de Aquaman ou The Flash. Pois é.

Adicione a isso que a DC sempre passou muito bem com sua parceria com a não menos poderosa Time Warner, que nunca lhe deixou faltar nada.

Some a isso, ainda, que a DC não precisou dar a cara a tapa e pode simplesmente esperar a Marvel tentar e errar para ver o que funcionava e o que não funcionava nos cinemas. O elenco é excelente, o roteiro é sólido... Para a DC sim, estava tudo fácil, tudo favoravel.

Era só empurrar para o gol e sair para o abraço.

E de alguma forma, o resultado foi esse:



Como? Não, sério, apenas como?!?

quinta-feira, 21 de abril de 2016

[GAMES] FRAGILE DREAMS: FAREWELL RUINS OF THE MOON (ou sozinho como tudo que nasce)

Neste jogo um ruivinho frágil terá uma amizade pueril com
uma novinha onírica que anda pelos telhados. A Cronica do
Matador do Feelings.
Solidão é um tema que me atrai como um inseto é atraído por uma lâmpada. Existe uma certa cor de beleza que só consegue ser vista quando você passa tanto tempo sozinho ao ponto de sacrificar sua própria sanidade no processo.

Talvez por isso Super Metroid e Shadow of the Colossus sejam meus jogos favoritos. Claro que chutar a bunda de piratas espaciais e colossos gigantes sempre é ótimo, e os jogos são maravilhas técnicas no que se propõe a fazer, mas ultimamente estes jogos são um ode sobre a solidão. É apenas você e seus pensamentos por horas e horas ao ponto que você cria afinidade com seus inimigos porque são meio que toda a companhia que você terá - o que descreve muito bem minha vida social, não supreendentemente.

Mas Shadow of the Colossus e Super Metroid tem algo em comum: são jogos bons. Excelentes. E eu já joguei meu quinhão de jogos maravilhosos nesta vida, tanto quanto já tive minha cota de jogos pavorosamente ruins. Neste blog mesmo você encontrará alguns jogos que me fizeram ter vontade de atirar o controle na parede e pesquisar física quântica apenas para criar um Death Note e escrever os nomes de seus nomes.

O que raras vezes me aconteceu, no entanto, foi AMBOS acontecerem ao mesmo tempo. De alguma forma Fragile Dreams conseguiu a façanha de ser um jogo muito bom ao mesmo tempo  que é um jogo muito, muito ruim. Ok, certo, talvez mais ruim do que bom, mas muito bom mesmo assim.

terça-feira, 19 de abril de 2016

[GAMES] STORIES: THE PATH OF DESTINIES (ou chama o japones da PF que roubaram minha ideia)

"E ele delineou um plano levemente complicado, que envolvia gansos,
 uma rede, colocar o navio "um pouco em chamas", Lapino se vestindo
como um velho sapo cego e Reynardo se escondendo dentro de uma
melancia monstruosa".
Esse vai ser um dia daqueles.
Todo entusiasta de algum hobby mais cedo ou mais tarde (provavel que mais cedo) ja teve suas proprias ideias de como criar seu proprio entretenimento. Não conheço um boardgamer que nunca pensou em fazer o seu proprio jogo, esta para nascer o RPGista que não tenha rascunhado seu próprio sistema (e realmente está para nascer o que entenda a diferença entre cenário e sistema) e claro que jogadores de videogame não poderiam ser diferentes.

Eu mesmo quando era um jovem gamer repleto de sonhos e esperanças tive algumas ideias para videojogos e destas eu lembro de três em particular.

A primeira era um jogo de futebol em que você pudesse ser o arbitro. Sério, como não fizeram isso ainda é algo que está além da minha compreensão.

A segunda seria um jogo que você viveria a vida normal e cotidiana de uma pessoa comum, tendo emprego, relacionamentos e construindo sua casa. Se não parece muito épico, pergunte a EA quantos milhões eles ganharam com a série The Sims. Sim, eu inventei The Sims muitos anos antes da EA, apenas o mundo não sabe disso.

E a minha terceira grande ideia de jovem gamer seria um jogo no estilo livro-aventura, sabe aqueles livros do tipo "Se voce quer tirar as calças vá para a pagina 58, se você acha errado passar a noite com a sua irmã vá para a página 29".

Inicialmente quando eu conheci as Visual Novels eu pensei que fossem o equivalente disso mas não, é uma experiencia inteiramente diferente. Stories é que se pode dizer como o primeiro jogo a realmente a sensação de um livro-aventura.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

[GAMES] DYING LIGHT (ou o chão é lava, the game)

SPOILER: Dying Light não é sobre
isso, mas seria um grande tema para um jogo
mesmo assim
Tem algumas coisas estranhas que as crianças fazem em qualquer lugar do mundo sem nunca ter conversado com ninguém a respeito disso.

Você certamente já brincou de "o chão é lava", onde você tem que pular nos moveis porque se encostar no chão você morre. Ok, provavelmente você chamava de outra coisa, mas não é misterioso que crianças no mundo todo brinquem disso mesmo antes do advento da internet?

Dying Light é um jogo AAA sobre isso, acredite se quiser.

Nossa história começa em 2011 quando a até então desconhecida Techland lançou o trailer de seu novo jogo de zumbis: Dead Island. O que isso tem de relevante? Ora, acontece que o trailer de Dead Island é o comercial mais bonito que eu já vi para um videogame. É lindo, é tocante, é aterrorizante, é tudo que se poderia esperar de um jogo de zumbis. Os gamers ficaram em polvorosa.

Se apenas Dead Island fosse tão bom quanto o seu trailer, seria um dos melhores e mais marcantes jogos de todos os tempos. Infelizmente, não foi.

Todo o conceito de "zumbis já foram gente um dia" e a cinematografia impar do trailer não estão no jogo, e o que temos é um sandbox genérico no qual você tem que abrir seu caminho no meio da zumbizada na base da porrada. Soa melhor do que é realmente, depois de meia hora você já meio que fez tudo que tinha para fazer na ilha.




Por isso mesmo pouca gente ficou impressionada quando a Techland anunciou OUTRO jogo de zumbis. Eles prometeram que dessa vez aprenderam com os erros e Dying Light seria realmente o jogo de zumbis que todos estávamos esperando.

E assim como o jogo anterior, a premissa acabou sendo melhor que o resultado.

sábado, 16 de abril de 2016

[ANIMES] ASSASSINATION CLASSROOM [1a temporada] (ou aqui pode matar aula)

Simulação do que aconteceria se um professor dissesse
em uma universidade federal que não existem almoços
grátis. Não tentem reproduzir em casa.
Você certamente conhece esse tipo de história: um grupo de alunos tidos como "caso perdido" são inspirados por um professor excêntrico que acredita neles e com seus métodos de ensino pouco ortodoxos consegue trazer o melhor dos jovens não apenas nos estudos como para as próprias deles.

Diversos filmes muito bons já foram feitos com essa premissa como Sociedade dos Poetas Mortos, Meu Mestre Minha Vida e alguns talvez não tão bons assim mas que eu gosto muito como Mudança de Hábito 2 e Escola do Rock. Em animes temos o eterno clássico Great Teacher Onizuka como exemplo. Enfim, você conhece o esquemão.

A treta aqui se passa na escola mais prestigiada do Japão: a Academia Kunugigaoka que possui um sistema de ensino moralmente questionável mas comprovadamente eficiente: a turma E do terceiro ano do colegial é composta pelos piores alunos da escola, e eles são abertamente tratados como párias perdedores asquerosos - inclusive sua sala nem é no campus da escola, é uma cabana caindo aos pedaços no meio das montanhas.

A lógica é simples: o medo de se tornar um paria e um sub-cidadão, ou seja, acabar na turma E, faz os alunos estudarem infinitos por cento mais. Nada como a motivação correta para tirar o melhor das pessoas, é o que eu sempre digo. Na verdade eu nunca disse isso antes, mas sempre se começa por algum lugar... exceto se eu nunca mais dizer.



O ponto é que  você pode questionar os métodos do colégio mas não seus resultados. Então nossa história se foca nessa turma de fracassados problemáticos, a turma E, e como um professor excepcional conseguiu resgatar não apenas suas notas mas a confiança em si mesmos.

Claro que uma história dessas não funcionaria sem um professor tão carismático quanto Robin Williams em A Sociedade dos Poetas Mortos ou professor Wenger em A Onda e neste anime não é diferente.

Nosso professor excepcional no caso é um monstro-polvo que destruiu a Lua e vai destruir a Terra em um ano, mas para dar uma chance aos terráqueos decidiu dar aulas e ensinar aos alunos como mata-lo.

Espera... O QUE?!?

quarta-feira, 13 de abril de 2016

[GAMES] MAX PAYNE 3 (ou o Brasil não é para os fracos)

Uma das cenas que mais me marcou na segunda temporada de Demolidor é quando o Matt está conversando com a Karen na calçada naquela fase pré-namoro. Eles conversam e depois ela vai embora. Depois que ela sai a rua passa a ser barulhenta, suja, repleta de traficantes e perigo. A metáfora visual da cena é ótima - com ela o mundo dele não é um lugar horrível - mas não foi exatamente isso que me marcou. 

O que realmente me marcou foi o pensamento de que Hell's Kitchen é o bairro mais violento, barra pesada e trevoso de Nova York. Chances boas são de que no caminho para casa você seja assaltado, esfaqueado, decapitado por ninjas que saem um buraco infinito e controlado por um maluco que você pode jurar que é a cara do Doutor. Necessariamente nesta ordem.

E ainda sim eu fiquei cá pensando com meus botões: "Opa, gajo, a cozinha do inferno não é lá muito fixe realmente. Mas ainda sim é infinitamente mais segura do que qualquer cidade no Brasil". Sim, meus monologos internos são em portugues de Portugal, maldito seja BSPlayer!



Voltando ao assunto, faça o teste: coloque um terno bacana e sente na calçada de uma rua deserta de qualquer região metropolitana a sua escolha depois que anoitece (não sei como anda a vida no interior, mas não coloco minha mão no fogo que seja qualquer coisa diferente) e sente na calçada com sua novinha de 30kg. Você sabe que não pode fazer isso no Brasil em cidade alguma. Eu tinha essa mesma sensação assistindo "Todo Mundo Odeia o Chris" quando o bairro de Bedford Stuyvessan (Bed Stuy para os intimos) era pintado como o lugar mais perigoso na face dos US and A para os não-nativos, e ainda sim para os brasileiros parecia um passeio no parque.

Os nativos daqui te dirão sem a menor cerimonia que a coisa mais estúpida que você pode fazer é sair a noite sem pelo menos 50 reais na carteira para dar para o assaltante ou de propina para a polícia. Mas não se preocupe, nossa polícia não é do tipo cretina de filme dos anos 80 que o policial diz:

- Você está sendo multado por trafegar com o farol quebrado.
- Mas policial, meu farol não está quebrado.
CRASH!
- Agora está!

Não, não. Nossa polícia vai te estorquir dinheiro porque você tem alguma pendencia com a regularidade do veículo e decidiu que prefere dar cinquentinha para o guarda fingir que não viu. Nós vivemos em um atoleiro tão grande de violencia e corrupção, e tratamos toda essa merda toda como se fosse a coisa mais natural do mundo, que mesmo um tira durão de filme americano empalideceria com o quão sujo, violento e corrupto o Brasil é.

Max Payne 3 é um jogo sobre isso.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

[SERIES] DEMOLIDOR [2a Temporada] (ou a vida passa e o Matt nem vê)

Existem dias em que antes mesmo das 9 da manhã você já sabe que não devia ter levantado da cama e que por melhor que seja o seu esforço, esse vai ser um dia daqueles que tudo dá errado. Os traficantes de Hell's Kitchen, por exemplo, tiveram um dia desses quando acidentalmente mataram quase toda uma tal de família Castle.

Porra cara, tanta gente numa cidade com 8 milhões de pessoas e eles tinham que matar logo a família do soldado mais badass da história dos soldados badasses dos US and A? Sério, podia ter morrido sei lá, o pipoqueiro, a família do tiozinho que vende balão de bichinho, podia ter morrido até o vendedor de churros (não sei se vendem churros no Central Park, ficadica de empreendedorismo), mas não, tinha que ser os Castelinhos. É claro que tinha que ser. Puta merda, vai ser azarado assim lá na defesa do Aimoré. Aquele era um dia desses em que nada dá certo, sabe?

Você poderia até dizer que foi um caso isolado, mas a grande verdade é que as gangues de traficantes de NY são apenas um exemplo de uma temporada em que pouca gente queria ter levantado da cama.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

[GAMES] THIEF (ou o rio mais fedorento do universo)

Algo errado não está certo...
Abrimos já com um grande spoiler: em Thief você joga com um ladino. Oh.  Brutal. E isso, é claro significa guerra que você encontrará dezenas de guardas patrulhando a Cidade (esse é o nome dela mesmo). Alias a Cidade é a cidade (?) mais segura do  universo já que até onde eu pude contabilizar a proporção de guardas para civis é de algo como 10 guardas para cada pessoa comum. Apesar disso o jogo insiste que a Cidade é um lugar perigoso e sem leis, vai entender...

Seja como for, eu dizia que a Cidade é o lugar mais policiado do universo. Infelizmente tem o rio mais fedegoso do cosmos também.

Você sabe disso porque quando os guardas patrulham (e 90% da população da cidade são guardas) eles usualmente falam uma de suas quatro frases aleatórias de dialogo. Thief tem poucas frases de dialogo, mas as mesmas frases foram gravadas diversas vezes pela mesma pessoa e distribuídas a diferentes guardas em diferentes áreas da cidade Cidade.

Você ficaria surpreso em quantas maneiras diferentes existem para se dizer "Dá pra sentir o cheiro do rio daqui". "Dá pra SENTIR O CHEIRO do rio daqui", diz um guarda parecendo surpreso que você possa fazer do que provar e tocar. "Dá pra sentir o cheiro do RIO daqui", aparentemente impressionado que de que todas as coisas que você pode sentir o cheiro daqui, o rio é uma delas. "Dá pra sentir o cheiro do rio DAQUI", diz um terceiro, refletindo sobre o quão longe se consegue sentir o cheiro desse rio.

Eventualmente eles se cruzam e você ouve diálogos como:
- Dá pra sentir o cheiro do RIO daqui.
- Dá pra sentir o cheiro do rio DAQUI.

Imagino que falar sobre o cheiro do rio é o equivalente local a comentar sobre o clima.

Adicionalmente, você ouve esse dialogo em todas as áreas do jogo. Absolutamente todas mesmo, porque o jogo tem um pequeno problema de áudio: o som sempre sai como se a pessoa que falou estivesse no mesmo comodo que você. Mesmo que ela esteja na rua. A três andares abaixo. E que o jogo tenha carregado duas telas de loading para abrir aquele mapa - imagine o quanto isso ajuda na imersão em um jogo de furtividade, pois é.

Então não existe lugar nessa cidade, literalmente, que o cheiro do rio não te alcance. Você pode correr e pode tentar se esconder, pode ir as profundezas dos esgotos ou ao topo da torre mais alta da cidade, SEMPRE vai ter uma voz como se estivesse a menos de dois metros de você dizendo o quanto esse rio é fedorento.

Puta merda, esse rio deve feder pra caralho mesmo. Mas nem de perto tanto quanto esse jogo, como você pode deduzir por essa minúscula amostra.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Esquadrão Relâmpago CHANGEMAN (ou você quer mesmo trabalhar com um desses dois?)

Nossa história começa em um dia glorioso, bem iluminado, um dia perfeito para um bom treinamento do exército dos Defensores da Terra. Todos estão animados. Homens e mulheres conversam em trajes militares. É tudo muito bonito, tudo muito organizado, todos estão dispostos a darem o melhor de si (menos o Jorjão, ele nunca tá).

Eis que aparece o treinador,
o chefe dos Defensores da Terra
que está num helicóptero...
com uma metralhadora...
atirando no pessoal... (vá para 1:58 do vídeo)

 

Agora, vamos parar e pensar por um momento: se no teu primeiro dia de trabalho/treinamento, seu futuro chefe atira em você com uma metralhadora, o que você faz? CORREEEEE, FILHA/O! ELE NÃO TE AMA. ELE SÓ QUER TEUS BENS. Falando sério, você vai mesmo querer trabalhar para um homem desse? 

A resposta sensata seria um sonoro não, mas teve quem achou uma boa ideia na época e disse 'sim' (a gente faz cada merda na juventude mesmo). O nosso grupo de heróis então está formado: três homens, duas mulheres, cinco seres humanos que banhados pela força terrestre e recebedores dos poderes de um animal lendário vão proteger a Terra da terrível ameaça alien corporificada ou não (é uma grande dúvida isso até o final da série) pelo vilão supremo Sr. Bazoo. Esse modelo de anatomia peladão aqui embaixo.

Também conhecido como o melhor/pior chefe do Universo.

Então, temos o grupo de heróis coloridos que morfam e ganham armaduras e poderes, temos o vilão master com seus asseclas e seus órgãos de fora.

terça-feira, 5 de abril de 2016

[ANIMES] BAKEMONOGATARI (ou carry on, my wayward harém)



Normalmente eu começo a resenha com uma imagem engraçadelha sobre o assunto, mas desta vez farei diferente apenas e exclusivamente porque Carry On My Wayward Son (o hino não oficial de Supernatural) tem a melhor introdução de uma música que eu consigo lembrar. Posto isso, podemos começar os trabalhos.

Em 2005 o até então desconhecido produtor Erik Kripke criou aquela série que certamente vai viver mais do que qualquer um lendo esse texto: Sobrenatural. Não sem seus méritos, verdade, porque a série de fato tem uma idéia tremendamente boa: dois irmãos cruzam o país num carro badass sendo fodões contra toda sorte de versão moderna de folclore, mito, divindade ou lenda urbana.

O primeiro episódio é sobre o monstro das tradições nativo-americanas Wendigo, mas temos uma temporada inteira sobre o apocalipse da Bíblia e até mesmo um episódio sobre o Slenderman - criado nos porões dos fóruns de internet. Se em algum lugar alguém escreveu ou contou alguma história sobre algum tipo de lenda, pode apostar que há um episódio sobre isso. Sem exagero, já que a série está em sua 12a temporada e sem previsão de acabar.

O modus operandi da série é muito simples: alguém morre de uma forma bizarra, os irmãos Winchester chegam na cidade para ajudar uma uber gostosa (não existem mulheres feias ou fora de forma nos EUA, pelo que eu aprendi nessa série) e enfrentam a bizarrice do dia seja ele um fantasma, a fada do dente ou um anjo babaca. As vezes um deles pega a gostosa em questão, as vezes não, mas raramente alguma resiste ao tema favorito de fanfics das adolescentes.

Agora imagine, apenas imagine, que o conceito de Sobrenatural fosse exportado para o formato de um anime. Considere também que o Japão tem o folclore mais rico e diverso do qual eu tenho conhecimento e mesmo os japoneses não arriscam dizer que conhecem tudo sobre todas as lendas, espíritos, deuses e parábolas que compõe sua cultura - sim, ter assistido Naruto ajuda, mas é MUITO mais profundo do que isso.

Qual seria o resultado disso? O resultado disso seria Bakemonogatari, praticamente a versão anime de Supernatural - para o melhor e para o pior.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

[FILMES] BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS (ou o melhor gerente de RH do mundo)

Pergunte qual o melhor filme de super-heróis de todos os tempos e 7 entre 10 nerds te dirão que é Batman - The Dark Knight. Dois dirão, arrumando sua boina hipster, que é Watchmen e o último corrigirá esses dois dizendo que Watchmen não é um filme de SUPER heróis, apenas heróis. Então eles começarão a discutir sobre as implicações psico-sociais da existência (fictícia) do Dr. Manhattan e tudo terminará com muitos xingamentos no twitter e vídeo-resposta no canal do youtube de alguém.

Ah cara, como eu detesto pessoas... mas onde eu estava mesmo? Ah sim, o Cavaleiro das Trevas.

Aclamado por muitos como o melhor filme de heróis de todos os tempos, não tem como não assistir esse filme e realmente constatar o quanto ele é ... ruim. Ok, ok, calma. Respire fundo e venha comigo, talvez você aprenda alguma coisa no caminho.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

[ANIME] FATE/ZERO (ou o que é um rei senão uma miseravel pilha de segredos?)

FATE/Zero é a prequel de FATE/stay night
você pode ler minha resenha desse anime AQUI


Esse cara não tá muito bem, melhor dar água pra ele
A cultura pop é, infelizmente, deveras proeminente em nos frustrar. Sua melhor arma para isso é criar uma idéia linda, graforrágica, toda chiquetona e na hora H... executa-la com a graça de um zagueiro do Aimoré afastando a bola (DICA: eles não são muito bons nisso).

Muitos aeons se passarão até vermos um dos maiores e melhores vilões da Marvel no cinema, sendo que boas são as chances de jamais vermos um Doutor Destino decente. Firefly nunca teve e provavelmente nunca terá outra temporada, ao passo que Heroes consegue ser progressivamente pior a cada temporada e ainda volta dos mortos com um reboot fraco. Jamais veremos o mundo de Equestria como foi plenamente idealizado por Lauren Faust e Christopher Eccleston jamais será o Doutor novamente (nem mesmo como participação especial).

Alguma dessas coisas parece certa para você?

Frustração, frustração e mais frustração é a vida de um nerd (o que meio que descreve também sua vida sexual, o mundo tem um equilíbrio estranho). E uma das maiores frustrações do meu kokoro bijin de kamisama é o anime FATE/stay night.

Quer dizer, o anime tem um conceito dos mais fodas da história das animações: sob a supervisão da igreja, tradicionais famílias de magos (pense tipo Harry Potter) evocam os espíritos de campeões lendários da história da humanidade (alguns tão fodas que realmente se tornaram lendas) para batalhar até a morte pelo cálice sagrado, capaz de realizar qualquer desejo.

Se isso não é uma premissa para um anime FODA, então não sei mais o que seria.

E no entanto, o que temos é um anime de harém nas coxas para otaku bater punheta e tanta profundidade quanto um pastel em fim de feira. Aparentemente este seria apenas mais um capitulo no livro negro de frustrações nerdicas... mas NÃO. Apenas NÃO.



Não. Calados na noite não desaparecemos sem lutar, pois hoje é o dia em que fincamos resistência e mais essa página do grande livro de frustrações nerds não será preenchida pois este é o dia em que FATE foi tudo aquilo que sempre deveria ter sido. Este é o dia em que FATE foi bom.