segunda-feira, 23 de maio de 2016

[SERIES] PARKS AND RECREATION (ou Trotski pode ser divertido)

VOCÊ ESTÁ ENTRANDO EM PAWNEE
Boa sorte com isso.
Leslie Knope é uma mulher com um sonho. Em seu mundo ideal ela sonha que o governo possa determinar o que as pessoas vão comer, com quem elas podem se relacionar, que tipo de entretenimento podem ter e os lugares que devem frequentar. E por governo entenda-se "as opiniões dela" (como todo esquerdista sempre sonha que ele vai estar do lado da caneta que manda).

Não obstante a isso, Leslie não se roga em usar a máquina do governo (ou seja, dinheiro tomado a força das pessoas) para fazer favores para seus amigos ou preferencias suas. Ela não vê nada errado, por exemplo, em usar recursos tomados das pessoas para manter funcionando uma vídeo locadora que estava as portas da falência. Se um negócio vai a falência é porque seu serviço não é mais relevante a comunidade, do contrário ele estaria sendo utilizado. Existe uma palavra para quando negócios incompetentes dão lugar a outros que atendem as necessidades das pessoas: progresso. Mas o que é a decisão intima das pessoas sobre o que é melhor para si perto da sabedoria onisciente do camarada Estado, não é mesmo?

No mundo de Leslie Knope, as pessoas deveriam apenas parar de encher e deixar o governo lhes dizer como viver suas vidas.

Uma série com esta personagem como protagonista teria tudo para ser um thriller opressivo de terror, praticamente uma versão semanal de 1984 (que não tenho a menor dúvida que Leslie deve ler toda noite e suspirar apaixonadamente). Mas apenas graças a magia da televisão, não é nada disso.

O que deveria ser uma história de terror acabou sendo uma das mais engraçadas comédias da televisão. A vida tem dessas coisas.

domingo, 22 de maio de 2016

[ANIMES] OWARI NO SERAPH (ou a Celso Rothrização dos animes)

Existem animes que você começa a assistir porque gostou da sinopse, pelo fan service, porque achou a arte bonita ou porque todo mundo está comentando.Eu, diferentemente de vocês plebes mortais, comecei a assistir Owari no Seraph porque gostei do nome: "Serafim do Fim". Um motivo muito maduro e razoável para começar a assistir um anime, se querem saber.

Bem, para começar cabe explicar quem é Celso Roth: ele é simplesmente o melhor treinador ruim do futebol brasileiro. Ele não é apenas ruim, ele é o melhor deles. Isso quer dizer que ele é capaz de montar equipes bastante competentes que encherão sua torcida de esperança verdadeira, para então frustra-las da forma mais dolorosa possível.

Aqui no sul ele é muito famoso: ele conseguiu a façanha de liderar um campeonato brasileiro com DOZE pontos de vantagem com o Grêmio, e então entregar o titulo de bandeja em uma série inacreditável de fracassos. Os colorados não tem melhores lembranças dele: dirigido por ele o Inter foi campeão da Libertadores apenas para disputar o mundial e pagar o maior fiasco sendo eliminado por um time do CONGO (muitos daqueles jogadores provavelmente estava chutando pela primeira vez algo que não fosse uma pedra ou um coco). Este é Celso Roth, um homem que faz um trabalho muito decente para arruína-lo em seguida por motivos que apenas Zack Snyder entende (vai ver ele tem a mesma fraqueza do Thanos e deseja ser um perdedor).

Estou falando disso porque nos animes existe uma figura equivalente: Tetsurou Araki. Araki tem um dom incrível de dirigir animes magníficos.... até a metade. Então forças inenarráveis baixam um Celso Roth no homem e ele caga seus animes com tanta força que o eixo de rotação da Terra muda de direção.

#justroththings
Talvez o nome não lhe seja tão familiar assim, mas seu trabalho certamente o é: ele é o diretor de Death Note. Lembra do quão Death Note é inteligente, bem estruturado, sagaz e te dá muito mas muito mesmo mais do que a premissa dá a imaginar? Certamente você lembra, assim como lembra que no terço final do anime ele joga tudo isso fora e se torna uma novela arrastada sem nenhum dos elementos aos quais aprendemos a amar e respeitar nesse anime.

Caso isolado? Ora, ele também é ninguém menos do que o diretor de Gungrave - um anime magnifico sobre dois amigos de infância que crescem nos ranks da máfia e tomam caminhos diferentes até acabarem se tornando inimigos. Gungrave é arte, Gungrave é amor, Gungrave é... uma bosta depois da metade, onde se torna uma baboseira sobre "monstro do dia" e lutas genéricas de anime. Aff.

Ok, talvez eu esteja escolhendo cerejas com um anime um tanto obscuro, então o que me dizem do mega sucesso e blockbuster Shingeki no Kyojin? O colossal Ataque dos Titãs é um anime magistral, tenso, violento, pesado e vigoroso. Ele te deixa com o coração na ponta da chuteira em um mundo sombrio e de nenhuma esperança. É tão bom que é recomendado até para quem não gosta de animes... até a metade. Ai ele se passa de um épico desesperado de sobrevivência contra horrores enormes (literalmente) para... um anime de mechas sobre politicagem? Mas heim?

Esse, senhoras e senhores, é Tetsurou Araki. Ele te dá tudo que você sempre sonhou de uma forma que você sequer imaginava ser possível... para então puxar o seu tapete e te deixar com uma cara de "mas que porra aconteceu aqui?"

Owari no Seraph é a mais recente vitima do Celso Roth dos animes.
(Araki também dirigiu Highschool of the Dead, mas nesse o anime te entrega exatamente o que você espera da premissa do começo ao fim: zumbis, fan service e zero coerência)

quinta-feira, 19 de maio de 2016

[GAMES] PERSONA 3 FES (ou inferno é uma questão de tempo)

A identidade visual do jogo é sobre pessoas atirando
nas próprias cabeças. Tenho um bom pressentimento sobre isso.
Algumas vezes conseguimos aquilo que tanto sonhamos por tanto tempo apenas para ter nossos sonhos destruídos pela inexorável verdade que na prática a teoria é outra. Quantos não sonharam por tanto tempo em não só ver filmes de super heróis de boa qualidade no cinema, quanto mais crossovers entre eles? Imagine nos anos 90 dizer que um dia haveria um filme do Batman contra o Superman baseado em duas das HQs mais fodassicas dos quadrinhos? (O Cavaleiro das Trevas e A Morte e o Retorno do Super Homem, respectivamente).

Pois é,  na teoria seria incrível. Na prática, só o que sangrou foram nossos corações diante de tamanha baboseira por segundo na tela. Aham.

A vida é assim, repleta de frustrações onde você poderia menos esperar. Talvez você consiga namorar aquela supermodelo de 45kg (e 20kg são apenas dos peitos dela) apenas para descobrir que ela tem o interesse sexual de um pau-brasil. Ou talvez você consiga aquele emprego que ganha 25 mil por mês para trabalhar em casa, para esbarrar na inevitável constatação de que não há um dia sequer que sua rotina não termine em uma longa contemplação acerca dos diversos métodos de suicídio disponíveis a sociedade moderna.

Essa é a vida, coisas boas normalmente vem embaladas em toneladas de merda e da onde menos se espera ... é daí mesmo que não vai sair nada.

Minha mais recente frustração neste ramo é com um jogo que no papel deveria ser um dos maiores jogos de todos os tempos - e sua fanbase jura por sua virgindade que o é. Persona 3 poderia ter sido grande, mas apenas porque sim a Atlus deliberadamente decidiu fazer disso um acidente de trem (cujos trens envolvidos transportavam soda caustica e repolhos, respectivamente).

segunda-feira, 16 de maio de 2016

[GAMES] STELLARIS (ou a galaxia me traiu)

Eu cresci jogando videogames.

Tem algo muito importante a ser observado nessa frase: VIDEOGAMES. O que significa que minha relação com jogos de computador começa e termina onde há suporte nativo para um joystick. Não que eu tecnicamente não consiga jogar com teclado e mouse, mas honestamente eu não consigo me divertir nem um pouco com isso. Truques novos para um cachorro velho, eu suponho.

Isso significa que eu tenho intimidade com jogos de estratégia em tempo real quanto tenho com o sexo oposto (essa frase parece contraditória, não?). Não porque eu não queira, eu adoraria estar entre as fileiras dos que aproveitam seus prazeres (isso vale tanto para o sexo oposto quanto jogos de estratégia, na verdade) - ter um gênero completamente novo de jogos para amar, você tem que ser louco para rejeitar essa noção.

Tantos jogos clássicos que eu poderia afundar horas e horas da minha vida, tantos jogos novos para serem lançados, tanto para jogar e esquecer o completo vazio de contato humano da minha existência...

Essa é a interface padrão do jogo. HAVE FUN.
Então eu ouvi falar de Stellaris e li relatos de suas épicas aventuras panestelares. Ora, é um dos meus temas favoritos e as estrelas pareciam certas (viram o que eu fiz aqui? Hã? Hã?). Eu pensei: "Certo, é isso. Está na hora. Eu vou conseguir". Durei menos de meia hora. Puta. Que. Pariu.

sábado, 14 de maio de 2016

[GAMES] CORPSE PARTY (ou gringos não sabem assustar)

Em 1997 foi lançado no Japão o RPG Maker 95 (sim, tá certo isso), que era um programa com uma ideia assaz megalodontica: uma interface visual para você poder criar os seus próprios RPGs de Super Nintendo sem precisar programar. Toda a estrutura visual similar a dos grandes clássicos do SNES estava la para você customizar e criar seus próprios jogos épicos e inenarráveis em 16 bits.

Agraciada com tal ferramenta em mãos a humanidade respondeu fazendo o que sabe fazer de melhor com tudo que cai na sua mão: pornografia. Claro que foi pornografia, não sei porque você pensou em outra coisa. Mas putarias a parte houve um japa não tão certo das amigdalas assim que decidiu pegar o RPG Maker e criar um jogo de terror.

É. Isso. Horror em 16 bits. Uh, estou apavorado. Como é que seria isso? Se eu disser Bloody Bit três vezes na frente do espelho do banheiro um Sprite animado com o mode-7 vai vir me pegar?

Aham, tá bom. Senta lá, Cláudia...


UATAFÃQUI?!
...taqueopareo, viu...

segunda-feira, 9 de maio de 2016

[ANIMES] NISEMONOGATARI (ou Monogatari pulou o tubarão)

Eita porra, esse vai ser um daqueles, né?
Em 1977 Happy Days era a série mais quente da televisão americana em grande parte graças ao carisma do personagem uber-maneiro e descolado Fonzie, que com sua jaquela de couro e óculos escuros foi promovido de coadjuvante a protagonista da série devido a sua popularidade.

O problema é que a série já estava lá pela sua quinta temporada e os roteiristas já tinham esgotado sua cota de ideias críveis para fazer com os personagens então a coisa estava num ponto que o que quer que quicasse na área tava valendo. Por esse motivo houve um episódio que por motivo maior nenhum Fonzie saltou de ski-aquático sobre um tanque de tubarões (usando sua jaqueta de couro, claro).

Vem daí a expressão "Jump the shark", que é utilizada para representar quando uma série se perdeu de tamanha forma que nem como paródia de si mesma ela serve mais.

Agora que você está familiarizado com a expressão, venho por meio desta informar que com Nisemonogatari a série Monogatari não saltou sobre um tubarão. Saltou sobre uma baleia azul.

domingo, 8 de maio de 2016

[FILMES] ZOOTOPIA (ou o filme sobre nudismo, política, racismo e Bolsonarismo da Disney)

"Moça do parquímetro deflagra guerra racial" pode não ser
a melhor chamada para crianças em um filme, mas não está
realmente errado
Uma coisa que eu defendo frequentemente é que escrever para crianças é muito fácil. Basta você colocar coisas coloridas, agitação, alguns sons de peido e está pronto - caso duvide é só ligar no Discovery Kids agora mesmo. Você pode argumentar que eu sou um zé ninguém e minha opinião não conta, mas essa ideia foi defendida até mesmo pelo próprio Fabio Yabu, um dos maiores criadores de conteúdo do Brasil e que teve uma série de livros infantis animadas para a televisão (Princesas do Mar).

Por isso mesmo os executivos da Hasbro devem ter arrancado os cabelos quando Lauren Faust propôs um desenho animado de Marilouponi que seria sobre amizade, sim, mas sem ser de uma forma maniqueísta e boboca e sem musiquinhas do tipo "ter amigos é bom, lugar de menina é brincando de casinha lalala". De fato eu realmente visualizo alguns engravatados gritando com as mãos na cabeça "Pelo amor de Galvatron, isso é loucura, mulher! NÃO PRECISA DISSO!"

E de fato não precisa mesmo. Crianças não são nem um pouco exigentes e você não precisa realmente fazer uma animação coerente, inteligente, com personagens bem fundamentados e mais com ideias para pensar do que lições que você acharia em horoscopo de jornal.

Precisar não precisa. Ainda bem que eles fazem mesmo assim.
Hoje falaremos sobre Zootopia.

terça-feira, 3 de maio de 2016

[SERIES] BETTER CALL SAUL [1a temporada] (ou advogados já foram gente um dia)

E isso não é tudo, os cinquenta primeiros que ligarem...
Vou dizer algo que certamente me faria ser expulso de vários circulos sociais nerds... caso nerds formassem circulos sociais (não, tentar "vencer" xingamentos na internet com textões não conta) ou caso eu tivesse algum contato social com qualquer ser humano... mas enfim, a loserice da minha vida a parte, vamos a parte polemica: eu não acho Breaking Bad tão bom assim.

Oh, o horror, a heresia, queimem a bruxa e todas essas coisas.

Eu gosto de Breaking Bad, recomendo,  mas realmente não acho o suprassumo da narrativa televisiva como é vendido pelos fãs não. Eles claramente lembram do ritmo de faroeste com frases de efeito, mas tem menos sucesso para lembrar dos 59 subplots abandonados sem a menor vergonha e das cenas arrastadas onde nada acontecia. Bem, como eu disse, é bom, mas não tão bom assim.

Grande parte dos problemas da série provinham da inexperiencia do diretor, Vince Gillian nunca havia dirigido nem partida de Banco Imobiliario e para um primeiro trabalho até que ficou bom. Quando foi anunciado que seu segundo trabalho seria um spin off de Breaking Bad, eu ergui meia sobrancelha e meia (também conhecida como uma).

Uma série sobre um dos personagens mais superficiais de Breaking Bad parecia muito caça-níquel para o meu gosto. Não que eu totalmente desgostasse do advogado trambiqueiro Saul Goodman, mas o problema é que não tinha muito mais realmente do que isso no personagem: era só um advogado trambiqueiro que resolvia umas paradas com seu jeitão Gil Gunderson de ser (um chapéu de banana pra você se entendeu a referencia sem pesquisar no Google).

Quer dizer, o quão boa poderia ser uma série sobre Saul Goodman? Eu apostava que não muito.
E Thoriniei totalmente.



segunda-feira, 2 de maio de 2016

[GAMES] THE LAST STORY (ou meu nome é Inigo Montoya. Você matou meu pai, prepare-se para morrer)

Sakaguchi é um japonês ou um chefe
de policia de filme dos anos 80?
Talvez jamais saberemos a resposta
Todo gamer conhece essa história, mas eu a acho muito interessante para não conta-la: em 1987 havia uma pequena empresa de jogos que estava as portas da falência com seus títulos esquecíveis de corrida e ação. Então em uma última tacada desesperada seus proprietários rasparam o caixa da empresa e fizeram o jogo que sempre sonharam fazer mesmo que comercialmente fosse um fracasso, foda-se! Se era pra sair do ramo, então que saísse de cabeça erguida podendo dizer que ao menos poderia se orgulhar do que fez.

Em homenagem a esta ultima cartada, o jogo foi batizado de Final Fantasy e 29 anos depois a empresa, a Squaresoft (hoje Square-Enix) tem um faturamento anual de mais de um bilhão de dólares. As vezes colocar seu coração no que você acredita vale a pena.

O diretor do jogo, Hironobu Sakaguchi, poderia muito bem ter simplesmente sentado em cima de ouro que criou e continuar ordenhando essa vaca de tempos em tempos como qualquer grande empresa faz hoje em dia com um titulo que venda bem (enquanto esse paragrafo foi digitado, pelo menos 2 novos Assassin's Creed devem ter sido anunciados). Mas não, não foi esse o caminho que Sakaguchi escolheu.

Em um mercado extremamente avesso a inovação, Sakaguchi escolheu fazer de Final Fantasy uma ferramenta de ponta na experimentação de novas ideias. Cada titulo da série implementa uma ideia completamente diferente que torna a experiência de jogo completamente diferente da anterior. Como não poderia deixar de ser, algumas vezes essas ideias são hediondas (como o sistema pavoroso de magias de Final Fantasy 8) e algumas vezes elas mudam completamente o gênero de RPGs (como o sistema de Jobs de Final Fantasy 5). O importante é continuar tentando coisas novas.

A coisa engraçada sobre a experiência no seu trabalho é que ela pode te tornar ou A) um babaca arrogante que acha que já sabe tudo que para saber ou B) alguém que aprendeu com os erros e foi anotando ideias para saber o que funciona e o que não precisa mais ser repetido.

- Squall, eu estou morrendo...
- E eu estou morto por dentro! É sempre só você, você, você!
Porque ninguém liga para os meus sentimentos!?
O filme em CGI do Kurumada, por exemplo, é ótimo. Ele deu uma aula do quanto aprendeu nos últimos 30 anos de carreira e concertou diversos rombos de roteiro na saga das 12 casas que ele cometeu na época porque era um piá novo e inexperiente. Claro, os fãs odiaram porque os fãs sempre odeiam tudo, mas tecnicamente o filme é o que manga original deveria ter sido.

Mas se você acha que os fãs de Cavaleiros do Zodíaco são chatos e defendem um padrão de qualidade que só existiu na nostalgia mágica de suas infâncias, isso não é nada perto do quão retrógrados e conservadores os games são quando se trata de marcas famosas. Basicamente tudo que você fizer que não seja um remake com gráficos melhores (mesmo que a jogabilidade seja patética para os dias de hoje e a história não preencha um guardanapo) é ruim. Não é por falta de vontade de ganhar dinheiro que a Square demorou tanto para anunciar um remake de Final Fantasy 7.

Em resposta a isso, Sakaguchi apenas declarou: "Chupem minha rola pequena e japonesa, otários! Se vocês esperam que eu não coloque em um jogo tudo que aprendi evoluindo em 30 anos de carreira, então enfiem um tofu em um lugar que rime!".

The Last Story, lançado em 2012, é o seu melhor jogo.