sábado, 9 de julho de 2016

[ANIMES] DEATH PARADE (ou Deus é imoral?)


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Como todo bom ateu satanista, boa parte da minha adolescência se passou vociferando o paradoxo de Epicuro com toda raivinha sapateante que cabe a um adolescente revoltz. Para quem não sabe (ou não tem páginas ateias no Facebook – saporra é postada a cada 15 minutos), o paradoxo de Epicuro diz o seguinte:

[ANIMES] PARASYTE (Kiseiju: Sei no Kakuritsu) [ou você é o que come você]

“Shinchi, eu pesquisei o conceito de demônios e acredito que, entre todas as espécies, os humanos são os mais próximos a eles. Os humanos matam e comem uma grande variedade de formas de vida. Minha espécie come apenas um ou dois tipos no máximo. Nós somos bastante simples em comparação.”


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Escolecifobia (fobia de vermes, parasitas e similares) pode não parecer algo tão incomum assim, mas eu sou o tipo de pessoa que passou mais de uma semana sem dormir direito por causa da cena dos Simpsons em que uma borboleta pousa na mão do Homer, se enterra na sua pele e vai até o cérebro dele (para morrer por falta de nutrientes, aparentemente). Aliás, borboletas são essencialmente minhocas voadoras, quem foi a pessoa mentalmente doente que decidiu que isso era sinônimo de beleza? Sério, como uma minhoca voando por aí, esperando apenas um mínimo descuido para entrar em qualquer orifício do seu corpo, pode ser algo bonito?

O fato de assistir o episódio “The Jiggler” de Hora de Aventura me fazer passar mal fisicamente talvez fosse um indicio de que um anime chamado “Parasyte” TALVEZ não fosse o mais adequado para mim, certo?

Mas o que eu posso dizer? É claro que eu assisti, pois eu vivo com emoção!

O MILAGRE QUE VEIO DO ESPAÇO

Em uma terça-feira (aposto que era, malditas sejam terças-feiras!) milhares de esporos na forma de MAMONAS RADIOATIVAS caíram do céu, o que teria sido um evento muito bonito, não fosse o fato de que eles carregavam pequenos parasitas que tinham como objetivo entrar no ouvido do ser humano mais próximo que encontrassem e absorver seu cérebro.

Nossa história conta as desventuras de Shinichi, uma das vitimas desses parasitas, que por uma cagada de sorte IMENSA não teve o cérebro consumido por espirococo do inferno. Ao invés disso, o parasita acabou se alojando na sua mão direita, e o resultado final foi esse:

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Pouta que o pareo, era melhor ter deixado tomar o cérebro logo! Mata com fogo!

Seja como for, nosso jovem Shinichi, que agora está condenado a nunca mais ver a masturbação da mesma forma, é obrigado a conviver com esse parasita em seu corpo. Você pode se perguntar, com toda justeza, se não seria melhor para Shinichi simplesmente cortar sua mão fora e passar os próximos 50 anos fazendo terapia, mas infelizmente essa não é uma opção razoável.

Acontece que Migi (mais ou menos traduzido seria algo como “Destro”, que é o nome que ele dá ao parasita, porque ele tinha que chamar de alguma coisa afinal) pode sentir outros da sua espécie, e pode defender seu hospedeiro, já que os outros parasitas (aqueles que tomaram o cérebro da pessoa com sucesso) não estão tão interessados em vender biscoitos de escoteiras e cantar canções sobre amizade.

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Acho que a imagem acima ilustra bem o meu ponto. Diante dessa nova realidade, tudo que resta a Shinichi é dar a mão a um admirável mundo novo de carne mórfica falante, yay!

DR. MANHATTAN, SE ALAN MOORE TIVESSE TOMANDO (muito mais) DROGAS

Ok, mas sobre o que é o anime, exatamente?
A sensação que eu tive foi que é um anime que parece muito com a estrutura de uma história sobre super-heróis. No começo, Shinichi é um nerd esquecível sem nenhuma qualidade interessante ou digna de nota – mesmo sua aparência é comum e perdedora. Então, quando ele ganha poderes, ele passa a ser mais descolado, confiante e seguro de si.

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Os cabeleireiros o odeiam, descubra o seu segredo!

O resultado lembra muito o Peter Parker no primeiro filme do Homem-Aranha (aquele do Sam Raimi), inclusive na transformação visual do herói de nerd loser a cara descolado do colégio.

Mais do que visual, no entanto, o anime é verdadeiramente sobre “evolução“. Uma coisa que eu nunca entendi sobre animes (e muitas séries de heróis, na verdade) é o quanto eles continuam agindo como se nada tivesse mudado em sua vida.

Porra meu, agora você é um cara que consegue atirar o valentão do colégio no outro lado da rua sem o mínimo esforço, consegue parar um carro em movimento a mão, e enfrenta em base rotineira monstros que deixariam Lovecraft orgulhoso. Parece bastante claro que as mesmas regras da sociedade não se aplicam mais a você.

Existe um número sem fim de merdas da sociedade que nós aguentamos única e exclusivamente porque somos obrigados a faze-lo, mas quando você é mais resistente, melhor, mais rápido e mais forte, muitas das regras da sociedade simplesmente não se aplicam mais a você (embora as letras do Daft Punk sim).

Conforme a série progride, a simbiose de Shinichi com o parasita (e tenho certeza que matei um biólogo de desgosto agora com essa frase) modifica a ambos, e cada um adquire traços do outro – tanto fisicamente quanto psicologicamente. De uma forma estranha, é mais ou menos o processo pelo qual o Dr. Manhattan passou em Watchmen: quando você deixa de ter os limites humanos definindo o que você pode fazer, isso também modifica sua noção de moralidade e ética.

Aquela vidinha de acordar cedo, ir pra escola, se formar, ter um emprego bosta e um casamento assim assim, simplesmente não define mais quem você é quando você consegue fazer isso:


Shinichi começa a se questionar sobre o que realmente significa ser humano, e esse é o cerne que realmente importa da série.

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Bem, taí uma evolução…

PARASITOMON MEGADIGIVOLVE PARA…

O protagonista não é a única coisa que evolui no anime, sendo os parasitas e seu impacto na sociedade a mais relevante das evoluções. Os parasitas começam o anime tendo recém “nascido”, simplesmente matando e comendo tudo que veem pela frente.

Como você pode imaginar (e eles também, já que são altamente inteligentes) que isso não acabaria tão bem quanto soa, com os parasitas sendo caçados e exterminados. Isso porque, individualmente, os seres humanos não são os biscoitinhos mais espertos do pacote, mas como espécie, nós somos os únicos seres vivos a colonizar os seis continentes do mundo.

Se você acha que pode chegar na nossa casa e fazer bagunça desse jeito, bem, lamento te dizer que nós (como espécie) temos mais de 200 mil anos de experiência em acabar com caras que tentaram fazer isso. Assim, os parasitas começam a evoluir como sociedade também, aprendendo que se adaptar é muito mais eficiente do que bater de frente diretamente com a humanidade.

Essa construção, essa evolução de simples vermes que comem gente a um principio de sociedade, e como isso afeta os seres humanos, é uma das coisas mais interessantes de se assistir no anime. Eu aprecio muito que os aliens (ou seja lá de onde os parasitas venham) não tenham uma “agenda de dominação global” a ser seguida, e estejam mais lutando para entender o seu lugar no mundo do que qualquer outra coisa, é uma mudança muito bem vinda.

Ao contrário do que adolescentes (e o Zack Snyder) pensam, sentimentos e sociedade não são uma fraqueza evolutiva (considere o quanto personagens “du mauuuu” e sem sentimentos positivos são populares entre essa turma), justamente o contrário. Sentimentos são uma vantagem evolutiva enorme para os mamíferos, e se hoje nós fazemos bolsa de couro dos répteis e não o contrário, coloque muito disso na conta dos sentimentos.

Como os parasitas, que apesar de altamente inteligentes não possuem nenhum sentimento senão o da autopreservação, começam a chegar a esta conclusão é algo completamente fascinante.

Com efeito, na reta final do anime, Shinichi nem é particularmente importante, porque as coisas já escalonaram muito além do que um simples colegial poderia fazer, e eu agradeço muito o anime por não cair no velho clichê de “exército de um homem só adolescente salva o dia”. Aqui, para variar um pouco do que é recorrente nos animes, são os adultos que resolvem as coisas em última instância.

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O PARASITA TEM UMA FRAQUEZA INATA: A DEPENDÊNCIA DO SEU HOSPEDEIRO. E ESSE ANIME TAMBÉM.

Parasyte tem um visual perturbador (cortesia da excelente animação do estúdio Mad House, como de costume), uma evolução de personagem e cenário muito interessante, e levanta diversas questões sobre o que significa ser “humano”. Na teoria, é um anime formidável. Na prática, a teoria é outra.

Ao contrário do que é muito comum, o problema do anime não é exatamente seu protagonista. Pelo contrário, Shinichi é um rapazinho extremamente razoável e relacionável, e sua jornada enquanto ele vai perdendo sua humanidade é algo bastante interessante de se ver (assim como sua convivência com seu parasita Migi, que é divertidíssima). O problema mesmo é o elenco de apoio. Ou a falta dele, para ser mais preciso.

Parasyte tem uma fraqueza importante nesse campo, já que patina para definir outros personagens. Com uma única exceção (a parasita Ryoko), conforme progride, a série progressivamente se transforma em um desconfortável show de um homem só. Não dá para dizer que sequer existem coadjuvantes, no máximo alguns personagens com o desenvolvimento de um cartaz de papelão orbitando Shinichi.

Eu sei que o Japão não é a sociedade mais progressista do mundo, mas a forma que as personagens femininas são apresentadas é ruim mesmo para os padrões já baixos dos animes: elas existem apenas para cumprir o papel de “mulher de marinheiro”: alguém para o herói ter a quem retornar após o combate, e às vezes morrer dramaticamente.

Quando isso é TUDO que a personagem é, bem, temos um problema aí.
Existe na literatura uma coisa chamada “Teste de Bechdel“, que é pra verificar se na obra existem duas mulheres (com nome) conversando entre si sobre algo que não seja um homem. Muitas obras falham nesse teste, mas Parasyte dá aula, mestrado e pós-doutorado em falhar nisso.

Mesmo Migi, que é o elemento fantástico mais importante da história, perde relevância na metade do caminho e começa a desvanecer para apenas uma ferramenta subordinada e subutilizada por Shinichi.

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Parece que alguém aqui chegou aos 30 sem nunca ter tido uma namorada

O PARASITA QUE PODIA ASSUMIR DIVERSAS FORMAS E NÃO ASSUMIU NENHUMA
Agora, personagens à parte, o maior problema de Parasyte é que a série não tem muita certeza do que quer ser. O anime tenta ser shonen, terror, ficção científica, slice of life e comédia romântica ao mesmo tempo, e o resultado final é tão bom quanto isso soa.

Talvez pudesse funcionar com uma escrita muito boa, mas não é o que acontece aqui. Em uma cena Shinichi pula do terceiro andar de um prédio com sua namoradinha nos braços (ela não sabe que ele é um híbrido humano/parasita) e cai perfeitamente bem, ela aceitando apenas a desculpa de que ele estava sendo “heroico”. Puta merda, filha! Nem eu, que tenho a vida sexual de um urso panda leproso, fico de boas depois de pular três andares só pra salvar uma novinha! Dá um desconto!

O anime é repleto de incoerências e escrita preguiçosa assim. A série, por exemplo, de fato levanta questões muito interessantes sobre qual o papel do ser humano no eco-sistema da Terra e na cadeia alimentar, mas responde isso de forma muito vergonhosa, que soa bastante com Capitão Planeta e outros programas “eco-amiguinhos”. Com monologões e tudo, aff… (monólogos são o equivalente em anime a textões no Facebook).

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Esse sou eu lidando com as responsabilidades da vida adulta

Tem pelo menos uns três personagens que você olha e vê que estão ali apenas para morrer dramaticamente e, adivinha só? Catapimba!

E não bastasse isso, a narrativa é terrivelmente lenta e o ritmo doloroso. Por algum motivo a Mad House achou que poderia resolver isso enchendo o anime de cenas de luta, mas essas acrescentam tanto à trama quanto os 79 episódios de Dragon Ball Z onde os caras ficam se socando e nada acontece.

De modo geral, é frustrante (para dizer o mínimo) ver como os aspectos mais interessantes e inteligentes do anime são escanteados em prol de cenas de luta. Parasyte está em seu melhor quando silenciosamente tenta (e consegue) criar cenas de desconforto através de transformações perturbadoras, contrapostas pelo senso de humor seco da Migi.

Não é por nada que Tamiya Ryoko é muito mais interessante do que todos os outros parasitas juntos, porque suas interações com Shinichi vão além de apenas trocar porrada com o protagonista. Enquanto as táticas da Migi para derrotar oponentes completamente desenvolvidos (ao contrário dela) no começo são inteligentes, com o tempo a série começa a parecer mais com um shonen típico, e terminamos com um arco de batalha contra um uber vilão que não é nada senão músculo sem conteúdo.

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Ryoko Tamiya. Melhor. Mãe. Ever.

Existe, sim, muito potencial e muitas boas ideias nessa série, muitas coisas que eu gostei, mas o foco contínuo nas lutas, e a crescente falta de qualidade na escrita, impedem qualquer recomendação acima de “é… bom…“. Infelizmente.

[ANIMAÇÃO] VOLTRON: LEGENDARY DEFENDER (ou não se fazem mais desenhos como antigamente. Que bom!)

Quando eu escrevi sobre A Lenda de Korra e o quanto os produtores de um dos melhores desenhos animados desse século sofreram nas mãos dos engravatados da Nick, eu disse que, em um cenário ideal, eles trabalhariam em um lugar que apenas não os enchesse o saco com politicas bizarras de audiência, e só os deixassem fazer o melhor desenho animado que eles pudessem fazer. E que a Netflix seria o lugar ideal para gente como eles.

Diabos, de fato seria ótimo se a Netflix pudesse contratar esses caras para criar algo no universo de Avatar, não seria? Só que parecia uma ideia ambiciosa e destinada a permanecer eternamente no campo das ideias, como uma segunda temporada de Sym-Bionic Titan ou perder a virgindade.

A Netflix, no entanto, gentilmente cutucou meu ombro e disse: “Criança, você não sabe o que você quer. Eu sei o que você quer, acredite”. E ela estava certa, muito certa.

Mais do que outra temporada no Avatarverso, o que seria realmente feliz é se esses caras fizessem uma Space Opera com um império alien, o destino de mundos, robôs gigantes na forma de felinos gigantes e um povo caracol sempre disposto a queimar alguém na fogueira para agradar os deuses. O que eu REALMENTE queria (e não sabia disso) era que os criadores de Avatar: O Último Mestre do Ar e A Lenda de Korra fizessem uma versão moderna do clássico dos anos 80 Voltron.

E esse foi um daqueles dias em que eu tive o que queria.

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Quando você é o “motorista da rodada” e trás a galera de volta da rave sem ter tomado nada

O DEFENSOR DA NOSTALGIA

Quando se é criança, gostamos de ter algumas certezas simples na vida. Eu, particularmente, me sentia confortável com o pensamento de que, não importa que tipo malignidade recaísse sobre o contínuo espaço-tempo, sempre haveria uma força equivalente do bem para detê-la.

E embora eu não tenha muita esperança no mundo real (sobretudo na realidade brasileira), eu ainda gosto de aplicar esse pensamento nas coisas que eu assisto. E poucas coisas são mais evocativas para uma criança do que um desenho animado chamado “O Defensor do Universo“, exceto, talvez, se esse defensor for um mecha formado por cinco leões robôs gigantes.

Poucas séries tem um conceito tão legal quanto Voltron. Infelizmente, no entanto, Voltron é um produto do seu tempo, com as limitações de roteiro e desenvolvimento de personagem que acompanham um desenho dos anos 80. Essa época atual, que nos acostumou com desenhos como MA-RA-VI-LHO-SOS (Luis Roberto feelings) como Steven Universe, Gravity Falls, A Lenda de Korra e My Little Pony nos pode fazer esquecer como os desenhos dos anos 80 eram… simples.

Isso não é necessariamente ruim (tem alguns episódios de Tom & Jerry, Pica-Pau e Corrida Maluca que resistem ao teste do tempo e são geniais ainda hoje), mas a verdade é que desenhos dessa época ficam muito melhor nas memórias de infância acompanhados do cheiro de bolinho de chuva da minha vó, do que na tela do computador. Tanto isso é verdade que não foi por falta de vontade de ganhar dinheiro que a Square demorou tanto para anunciar um remake de Final Fantasy VII – tacar gráficos novos em um jogo antigo apenas realçaria o quanto… já passou o tempo desse tipo de coisa. E o mesmo vale para cartoons.

Então, o que a equipe criativa fez foi pegar elementos do desenho original e usá-los como pedras fundamentais para começar um desenho completamente novo. Todas as coisas que você lembra de Voltron estão lá: os ratinhos, os leões coloridos que se fundem no robô mais poderoso no universo, e a princesa rosinha que precisa ser salva no fim do dia.

A diferença é que esses elementos receberam um banho de loja de gente que entende muito do riscado: os ratinhos agora são um alivio cômico genial (e muito carismático), a princesa chuta bundas e o Voltron é realmente tratado como a arma mais poderosa do universo. Se você assistiu Avatar, consegue imaginar que padrão de qualidade esperar aqui. E se não assistiu (qualquer um  dos dois na verdade, ambos são ótimos), deveria.

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E então, Guldan, falta muito para abrir o Portão Negro?

MANTENHA SIMPLES, MANTENHA BELO

Voltron tem uma premissa um tanto boba: cinco robôs felinos se unem para formar um megazord e enfrentar o mal absoluto do universo. Obviamente que existe um limite para o quão sério você pode levar uma coisa dessas sem ficar ridículo, e por sorte (mas mais competência mesmo), seus criadores sabiam exatamente o que tinham em mãos.

Isso quer dizer que Voltron é uma série leve e divertida, que não tem vergonha de abraçar seus absurdos e te fazer rir com ela, não dela. Por exemplo, quando eles formam o Voltron pela primeira vez, o paladino (nome dado aos pilotos dos leões) amarelo diz “Gente, eu sou uma perna!”. Saber rir de si mesmo é uma das melhores qualidades que uma animação de absurdidades pode fazer.

Isso evita que a série caia no erro primário de “vamos encher linguiça até o Voltron aparecer”, não, a série é divertida mesmo sem robôs gigantes – isso é mais um bônus do que qualquer coisa. A bem da verdade, o Voltron não aparece tanto assim (certamente não todo episódio), o que só o torna mais especial ainda (que eu chamo de “Paradoxo de Godzilla“). A jornada de nossos improváveis paladinos aprendendo a pilotar um robô gigante, tendo aventuras no espaço, e enfrentando um império maligno é tão divertida quanto a premissa soa!

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Se um desenho com uma frase assim não divertir o seu coração, provavelmente nada mais o fará.

NÃO É UM EXÉRCITO DE UM PENTALEÃO SÓ

Não é porque Voltron é um desenho simples que ele é simplista, e é na ação da série que realmente se vê o “padrão Avatar de qualidade”. Seria muito simples dizer que Zarkon e os galra são genericamente maus e era isso, mas mostrar a maldade em si é algo muito mais interessante.

Neste cenário, os paladinos do planeta Altea foram derrotados pelo império Galra, e o rei de Altea não teve escolha senão espalhar os leões do Voltron pelo universo, para que ele não caísse nas mãos do tirano Zarcon.

Dez mil anos depois, do outro lado do universo, os humanos acidentalmente esbarram em um dos leões, e isso alerta os gansos, colocando o império na caça de nossos heróis. Agora a grande sacada aqui: Zarcon passou os últimos DEZ MIL ANOS construindo seu império. Não importa o quão poderoso Voltron seja, não tem como um único robô chegar lá e chutar bundas e tá tudo certo. Não senhor, nossos heróis precisarão iniciar uma rebelião do zero, para então ter uma chance contra Zarcon.

Eu não sei vocês,  mas eu acho isso muito mais legal do que o complexo de exército de um homem só que vemos em anime shonen, mais ou menos como funcionou em Avatar: por mais foda que o Aang fosse, não era só ele chegar na porta do Senhor do Fogo e gritar “Desce pro X1, Zé Ruela!”. Foi bem mais desenvolvido que isso, porque não é assim que impérios caem.

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“Eu juro que nunca ouvi falar desses caras!”

MAU COMO UM PICA-PAU, MAS COM UM PLANO

Outra coisa que me chamou a atenção  é que os vilões aqui parecem ter lido o Manual de cem coisas que todo overlord do mal deve fazer”, porque eles são de uma eficiência impressionante. O vilão, por exemplo, não fica mandando inimigos progressivamente mais fortes para testar nossos heróis, ele já manda seu general logo de cara, porque, de boas, por que diabos ele não faria isso?

Talvez eu tenha me acostumado mal a séries escritas com o gerador de clichés aleatórios embaixo do braço (tanto que eu assisti isso em paralelo a The Flash, que é meio que o rei da escrita cliché genérica), mas surpreende bastante ter alguém que parece que sabe o que está fazendo.

Outra coisa é que os inimigos aqui não são “genericamente maus”, como acontecia nos desenhos dos anos 80. São mostrados planetas escravizados e povos que nunca conheceram nada senão o medo de um dia o imperador acordar e decidir que aquele pessoal não é mais um recurso necessário para o império (ou apenas porque seu planeta estava obstruindo a visão dele de Vênus).

A princesa Allura, por exemplo, perdeu seu planeta (e toda sua família), mas não age como o tipico personagem de RPG do tipo “tenho um passado triste só no background, isso não me afeta em nada”. Pelo contrário, ela é um personagem complexo, que faz o melhor que pode, apesar de suas perdas – novamente, o que poderíamos esperar do time Avatar.

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“É como diz o velho provérbio: um homem pode ser levado a fazer qualquer coisa se uma linda mulher for muito, muito má com ele” – Nigel Thornberry

A NETFELIZ SABE O QUE ESTÁ FAZENDO

Diferente de qualquer outra experiencia televisiva, a Netflix sabe muito sobre o seu público. Ela sabe quando uma série é maratonada, sabe quais plot twists funcionam e quais falham, como a audiência reage a determinado personagem ou alivio cômico. Eles sabem quando o publico para de assistir um show e quando volta (ou não volta). Não a nível de episódio e sim cena por cena.

Existem muitas regras, e a Netflix conhece a maioria delas. Voltron: Legendary Defender é a Netflix usando o que sabe direito. Tem uma história sólida. O dialogo é polido. Os dubladores são excelentes. O gancho para a próxima temporada é ótimo, e os mistérios interessantes (por exemplo, em nenhum momento é dito, mas ficou bastante a impressão nas entrelinhas de que o Voltron é muito mais do que “só” um robozão foda). Os personagens são interessantes e bem construídos.

Em mãos menos habilidosas, Voltron seria um desenho idiota, mas felizmente seus criadores estão cientes da sua ingenuidade, e desenvolvem algo interessante, consistente com as regras do próprio cenário.

Existe uma cena em que os humanos discutem com os aliens sobre qual unidade de medida de tempo é melhor (os nossos segundos ou os tics deles), cada qual querendo provar que o seu tempo é melhor que o do outro. Pequenas coisas assim mostram que os escritores sabem o que estão fazendo.

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Não que eu tivesse qualquer dúvida. E considerando que a primeira temporada normalmente é a mais fraca de uma série, eu diria que podemos esperar grandes coisas daí pra frente.

[CINEMA] PROCURANDO DORY (ou a Pixar não faz continuações)


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Ok, foi um filme bem curto esse…

Procurando Nemo“, filme da Pixar de 2003, tem uma sinopse muito estranha quando você pensa sobre ele: “Homem tem a esposa brutalmente assassinada diante de seus olhos por um psicopata, e agora precisa partir em uma jornada com a ajuda de uma deficiente mental para encontrar seu filho aleijado“. Bem, é um conceito estranho mas, na execução, Procurando Nemo não tem nada de estranho sendo um dos filmes mais seguros da Pixar, e meio que bastante o que você esperaria dele.

Estranho mesmo foi quando alguém lá dentro leu essa sinopse zoada na internet, coçou o queixo e disse: “hey, espera aí, e se…“. O resultado é que, ao contrário do original, Procurando Dory é um filme muito estranho. E estranho é bom.

VAMOS COMEÇAR FALANDO DA BALEIA BRANCA NA SALA.
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Pronto, taí sua reação

Eu não gosto de Procurando Nemo. Pronto, falei. Se você quiser parar de ler este texto agora não irei condená-lo, mas eu realmente acho que é um dos filmes mais fracos da Pixar. É onde eles arriscaram menos, tentaram menos, e é bem seguramente apenas uma “creche eletrônica para desovar meus filhos e ter milagrosas duas horas de paz” pela qual as pessoas tomam as animações.

Mas como eu sou um Zé Ruela aleatório na internet, e minha opinião não importa tanto assim, eu gostaria de expor o ponto de um dos caras que mais entende sobre cultura pop infanto juvenil no Brasil: Fábio Yabu.
Mas a grande falha está nos personagens. Nemo, o personagem principal, é um deficiente físico. Mas a sua “nadadeira da sorte” não lhe traz nenhum tipo de desafio, ou seja, o roteiro não ousa, a nadadeira está lá por estar, não faz diferença. As crianças não o maltratam nem o discriminam por ele ser diferente. Isso seria ideal num mundo ideal, mas é só dar uma olhada nos comentários desse blog para ver que o mundo está longe de tal condição.
Além de tudo, Nemo é muito linear em suas emoções, o máximo que o roteiro extrai dele é um “eu te odeio” despropositado, forçado e perdido no meio da história. Não dá pra “acreditar” que ele existe, seus defeitos são fabricados e pasteurizados como simples detalhes de sua personalidade.
Posto isso, e agora certo de que muito provavelmente eu não estarei na sua lista de cartões de natal, podemos falar sobre um filme que não faz nenhum sentido ter existido, mas felizmente existiu.

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Te achamo Dory, a casa cai procê! Perdeu! Perdeu! Perdeu!

O FILME QUE NÃO DEVERIA ESTAR LÁ

Não faz nenhum sentido que “Procurando Dory” exista. É a continuação de um filme com mais de dez anos desde o seu lançamento, “protagonizado” pelo alivio cômico do filme anterior. Sabe o que essa descrição me lembra? Um dos filmes mais esquecíveis do ano passado: Minions.

Minions” é um daqueles momentos em que os executivos de um estúdio esfregam as mãos e dizem “então, como vamos tirar mais dinheiro desses trouxas com o menor esforço possível?”. Procurando Dory tinha muita cara de ser isso (e no  meu caso pior ainda, continuação de um filme que eu nem dava lá grandes coisas, imagine minha boa vontade ao assistir esse filme…).

Mas, felizmente, ao contrário da Disney, a Pixar não faz continuações. Antes que você proteste eu vou repetir: a Pixar não faz continuações. O que a Pixar faz são filmes completamente diferentes dentro do mesmo universo.

Carros 2, por exemplo, não é “Carros de novo para tirar mais dinheiro dos pais das crianças“. O primeiro filme é tipo uma versão animada de Dr. Hollywood, Carros 2 é uma paródia de filmes de espionagem. Não tinha como ser mais diferente (se ficou bom ou não, não vou discutir isso agora).

Com exceção, talvez, de Toy Story, a Pixar não faz sequencias. O que é uma coisa boa porque, a menos que eles tenham uma ideia muito boa para ser contada, eles não se dão ao trabalho de fazer. Não, não será tão cedo que teremos um Divertida Mente contando a vida sexual da Riley, pode parar de cruzar os dedos.

Procurando Dory é um desses casos que, sim, eles tiveram uma ideia muito boa para tocar adiante a continuação.

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SER “ESPECIAL” NÃO É ENGRAÇADO

Dory, como todo o universo sabe, é um peixe que sofre de perda de memória recente, e principal fonte de risadas no filme original por conta da sua deficiência. Isso é algo que sempre me incomodou bastante, e eu considerei, inclusive, citar ela na minha lista de TOP 5 personagens que são bastante deprimentes quando você pensa sobre eles.

Aparentemente mais alguém ficou incomodado com isso também na Pixar, porque esse filme é justamente sobre o quanto ser “especial” não é nada engraçado na verdade. É muito difícil, na verdade, e a quantidade de coisas que você perde, a quantidade de saltos laterais que você tem que dar para apenas ser igual aos outros certamente não é motivo de piada.

Como o Doutor disse uma vez em um dos seus melhores momentos: “Eu perdi coisas que você jamais entenderá!“. Coisas que você não faz ideia do quão valiosas são até que você precise viver sem isso.

E ao contrário do primeiro filme, a vida de Dory é tudo, menos “engraçadinha” por causa do problema que ela tem. Ela se perdeu dos seus pais quando era criança e cresceu sozinha, porque as pessoas tem tanta paciência com gente “diferente” quanto podemos esperar da nossa raça (ou dos peixes, nesse caso). Lidar com uma deficiência mental é exaustivo, cansativo, e as pessoas simplesmente desistem, porque ninguém tem paciência com a merda dos outros se ela não for bonitinha. Quando eu vejo na cultura pop como pessoas com transtornos mentais normalmente têm uma vida relativamente normal, eu apenas dou um sorriso cansado e penso “heh, gostaria que fosse tão simples assim”.

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Houveram dias em que eu achava que assistir como a Dory aprendeu a falar baleiês não seria uma experiência tocante. Estes dias ficaram para trás e jamais voltarão.

Não foi até chegar a idade adulta que Dory foi conseguir um amigo de verdade que a aceitasse como ela é (a introdução à vida pessoal de Dory termina justamente quando ela conhece um peixe-palhaço que está procurando seu filho desesperadamente, talvez você já tenha ouvido falar dessa história), mas foi uma jornada muito triste e pesada até ali.

Foi surpreendentemente algo sombrio, pesado e triste de se assistir, definitivamente não era o que eu esperava de uma “continuação caça níquel“. Um dos defeitos do primeiro filme é justamente que a “deficiência” do Nemo estava ali só para cumprir quota, porque ela não prejudica ele de forma nenhuma durante o filme inteiro. Nem fisicamente, nem socialmente.

Procurando Dory é efetivamente sobre o problema dela, e o quanto seu cérebro não funcionar da forma que deveria é nada engraçado na verdade.

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A grande pergunta que fica é: como vamos viver agora em um mundo sem um filme solo do Geraldo?

UMA AVENTURA PARA TODA FAMÍLIA

Falando assim parece que o filme é muito sombrio, sinistro e que o Zack Snyder vai comprar 4 cópias dele e mais a edição de colecionador. Só que não é assim.

Um ano após os eventos do primeiro filme, Marlin está vivendo com seu filho Nemo e sua amiga com necessidades especiais Dory (eu sei que shipadores shiparão, mas não é essa a relação deles, até porque a Dory precisa de mais cuidados do que uma criança devido à condição dela) quando um evento cotidiano faz Dory começar a lembrar que ela já teve família um dia. Para desespero do nosso peixe-palhaço pouco aventureiro, Dory decide, então, cruzar o oceano para encontrar sua família.

Quando sentamos para assistir um filme da Pixar esperamos feels e boa aventura animada, e Procurando Dory não falha em nenhum destes dois campos. As coisas ficam melancólicas, então tristes, depois nostálgicas, daí divertidas, mais divertidas ainda, tristes, assustadoras, divertidas de novo… você sabe como os filmes da Pixar funcionam, não? Nunca tem um momento em que Procurando Dory não esteja fazendo seu melhor para manter a audiência não só emocionalmente investida na aventura, mas torcendo por ela.

E vai, sem dizer que a Pixar está cada dia melhor em entregar aventuras visualmente divertidas e interessantes, seja em pequenas esquetes de humor bem construídas (GERALDO, FORA!), seja em personagens únicos. A grande adição do filme é o setopode (você sabe, um octopode que perdeu um tentáculo) rabugento Hank, que no original é dublado por ninguém menos que Ed O’Neill (o eterno Al Bundy). Acho que eu não preciso explicar muito mais sobre o personagem e o quão formidável ele é.

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Não, sério, Pixar eu nunca te pedi nada!

Como muito da ação se passa fora d’água, Hank é a ferramenta que torna isso possível em cenas um tanto forçadas, mas não menos divertidas por conta disso (mas se você vai assistir uma animação sobre peixes falantes para reclamar da impossibilidade física de alguma coisa, tem algo muito errado com você).

Estruturalmente o filme lembra bastante a fórmula de Up – uma grande aventura com momentos que tocam seu coração e causam lágrimas – só que faz tudo melhor. Com exceção da abertura, porque o começo de Up é coisa linda de Deus, né?

Promover Dory a protagonista foi uma escolha arriscada, alívios-cômicos (por melhor que sejam) não costumam ser tão brilhantes assim quando promovidos a centro das atenções (acho que eu não preciso novamente lembrar o quanto o filme dos Minions é esquecível, né?). Mas o filme se aprofunda nela e consegue transformá-la em uma protagonista crível e com motivações relacionáveis, não apenas altas aventuras porque ela é mucho lokaaaa!

Finding-Dory-Hank-Pin
Hank odeia que falem com ele, que toquem nele ou que estejam perto dele. E odeia crianças porque elas fazem todas essas coisas ao mesmo tempo. Encontrei meu animal espiritual

OU, OU, OU, CALMA LÁ MERMÃO

Dito isso, eu acredito que eu tenho algum problema com o ritmo do filme. Talvez porque eu não seja o público alvo, mas em vários momentos eu gostaria que a ação desacelerasse um pouco e focasse mais em esquetes bem sacadas, ou nos problemas pessoais da Dory.

A impressão que fica é que, temendo que o filme ficasse pesado (e arrastado) demais, a Pixar decidiu exagerar no açúcar, e o ritmo da coisa é um tanto frenético, mesmo para os padrões de uma animação, ao ponto de em alguns momentos seu cérebro quase desligar e entrar no modo “piloto automático vendo cenas de ação” (que é meio que a sensação que você tem do começo ao fim assistindo os filmes do Michael Bay).

Felizmente, neste caso, o coração do filme é enorme e muito interessante, e logo a Pixar te acorda para as partes realmente interessantes do drama pisciano.

Não é uma obra-prima do cinema (certamente não como Wall-E, ainda de longe o melhor filme da Pixar), mas é entretenimento de alta qualidade de uma sequencia que, até uma semana antes do lançamento do filme, ninguém tinha entendido ainda qual era o propósito da coisa. Pessoalmente eu gostei bem mais do que do primeiro filme, que até agora eu não entendi qual era o seu coração senão uma sequência de gags visuais coladas, mas como eu não sou grande fã de Procurando Nemo isso não quer dizer tanta coisa assim.

Surpreendentemente, “Procurando Dory” não é sobre achar fisicamente a Dory, ela não se perde (não mais que o usual, pelo menos), e sim sobre a Dory tentando realmente descobrir quem ela é e da onde veio. Profundo, não?

Como diz o ditado, da onde menos se espera… daí mesmo é que não sai nada. A menos que você espere da Pixar, porque eles sabem o que estão fazendo. Você nunca ouviu? É um ditado muito popular, sabia.